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Liliane Faria da Silva

Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa/Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Psiquiátrica · UFF

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Habilidades

TECNOLOGIA SOCIAL BASEADA NO BRINCAR PARA HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE EM SERVIÇOS DE SAÚDE

Área principal: Ciências da Saúde Área secundária: Ciências Humanas Área secundária: Ciências Sociais Aplicadas Área secundária: Linguística, Letras e Artes Tecnologias de Processo Tecnologias de Produto #Comunidades urbanas periféricas #Inovação e saúde #Juventude #ODS 10 #ODS 17 #ODS 3 #ODS 4 #Pessoas com deficiência #Saúde e Bem-estar #Tecnologia Social

Tecnologia Social: Metodologia participativa para preparo de crianças e adolescentes para procedimentos em saúde

Descrição

A Tecnologia Social desenvolvida consiste na utilização sistematizada do brincar, de atividades lúdicas e do brinquedo terapêutico como estratégias de preparação, acolhimento e educação em saúde de crianças e adolescentes submetidos a procedimentos assistenciais. Não é o brinquedo em si, e sim o método que define qual recurso construir, para qual situação e como avaliar o efeito.

O ciclo tem cinco etapas:

1. Observação e diagnóstico — a equipe acompanha a rotina do setor, registra os procedimentos realizados com crianças e adolescentes e identifica seus fatores estressores.
2. Confecção dos materiais — os brinquedos são construídos para os procedimentos mais frequentes do setor: no preparo para punção venosa, usam-se bonecos e os mesmos materiais do procedimento real, a criança manipula tudo e simula a punção no boneco.
3. Preparo dos discentes — estudantes e voluntários recebem formação teórica sobre o brincar como instrumento do cuidado antes de entrar em campo.
4. Aplicação — grupos com crianças e adolescentes trabalham os procedimentos mais comuns do setor: punção venosa, cateterismo vesical, curativos e cuidados de enfermagem. O formato coletivo agrega socialização, acolhimento dos acompanhantes e trabalho multiprofissional. Cada encontro dura Grupos com as crianças e com adolescentes para implementação de atividades lúdicas com aproximadamente 30 minutos de duração. Para os adolescentes, As atividades sobre aos procedimentos mais comuns como: punção venosa, cateterismo vesical, curativos, vacinas e outros cuidados são adaptadas de acordo com as idades dos participantes.
5. Avaliação e aperfeiçoamento — Após cada atividade a avaliação é feita junto aos discentes envolvidos com o objetivo de adequar os brinquedos terapêuticos, jogos e materiais. Além de criar novos propostas de produtos e discutirmos sobre a repercussão das atividades de educação em saúde desenvolvidas para o processo de formação acadêmica. O resultado retorna ao ciclo, adequando os brinquedos e definindo novos.

O problema

Crianças e adolescentes que precisam de cuidado em saúde saem do ambiente familiar para um lugar desconhecido, convivem com pessoas estranhas e passam por procedimentos invasivos e às vezes dolorosos, como punção venosa, cateterismo vesical, curativo, vacina. Sem saber o que vai acontecer com o próprio corpo, respondem com medo, ansiedade e resistência, o que dificulta o procedimento, tensiona a relação com a equipe e marca a forma como passam a encarar qualquer atendimento futuro. Mesmo com os benefícios do brincar e do brinquedo terapêutico documentados há décadas, a evidência não vira rotina. Em unidades de internação hospitalar e de atenção primária de Niterói, os procedimentos eram realizados sem estratégia sistematizada de preparo e acolhimento — sem recurso educativo ou lúdico que permitisse à criança compreender o que estava por vir, e sem espaço para a família participar desse preparo.

Construção da solução

A construção começou em 2013, no Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP), a partir de uma necessidade que a própria prática assistencial expôs: ampliar as estratégias de preparação e acolhimento das crianças submetidas a procedimentos. A resposta não foi levar brinquedos ao setor, e sim observar o que acontecia ali antes de propor qualquer coisa.

O método nasceu dessa observação. Acompanhando a rotina da internação, do ambulatório de especialidade e, depois, das unidades básicas, a equipe listou os procedimentos efetivamente realizados com crianças e adolescentes em cada cenário. Foi essa lista — e não um catálogo pronto de brinquedos — que definiu quais materiais lúdico-educativos precisavam existir.

O aperfeiçoamento seguiu o mesmo caminho. As demandas identificadas por crianças, familiares, profissionais dos serviços e estudantes orientam a avaliação das estratégias e a adaptação dos materiais às necessidades de cada local, num ciclo que não se fecha: cada nova unidade traz procedimentos e públicos diferentes e obriga a rever os recursos.

A abrangência cresceu por esse mesmo mecanismo. Do HUAP a experiência foi ampliada para o Hospital Getúlio Vargas Filho e, desde 2023, para unidades de atenção primária de Niterói. Durante a pandemia, quando a presença nos setores ficou inviável, as atividades foram mantidas por conteúdos em mídias sociais — evidência de que a tecnologia admite mudança de formato sem perder o propósito.

O trabalho acontece pelo projeto de extensão 'O brincar na assistência à saúde da criança e do adolescente', ativo desde 2013.

Participação e apropriação

Crianças, familiares, profissionais dos serviços e estudantes não são apenas público das atividades: são eles que apontam as demandas que orientam a avaliação das estratégias e a adaptação dos materiais em cada unidade. O que se leva a um setor é o que ele próprio indicou como necessário. Inicialmente as atividades aconteciam apenas nas unidades de internação, os acadêmicos sugeriram levar para atenção básica.

Participam as crianças e os adolescentes internados ou em atendimento ambulatorial no dia da atividade, mediante convite e aceite do acompanhante e da criança e adolescente. Dentro da atividade, quem conduz é a criança: manipula os materiais, simula o procedimento no boneco e mostra, pela reação, o que precisa ser explicado outra vez. O acompanhante participa do preparo, em vez de assistir.

A apropriação pelos serviços, porém, ainda depende do projeto: formar multiplicadores nas equipes é o passo que falta para que a tecnologia opere sem a universidade.

Resultados e transformações

Desde 2013 a tecnologia opera de forma continuada, ampliando-se do Hospital Universitário Antônio Pedro para o Hospital Getúlio Vargas Filho e, desde 2023, para unidades de atenção primária de Niterói — a incorporação do brincar como estratégia assistencial nesses cenários é, em si, o resultado mais durável.

Entre as mudanças observadas na assistência estão a maior aceitação dos procedimentos pelas crianças e manifestações de menor medo e ansiedade diante do cuidado, identificadas A redução do medo e ansiedade é percebida pelos acadêmicos envolvidos nas atividades e também os acaompanhantes. Junto delas, o fortalecimento do vínculo entre equipe, criança e família: o procedimento deixa de ser algo que se faz à criança e passa a ser algo explicado, manipulado e ensaiado com ela.

Há também um efeito de formação. Estudantes de enfermagem que passaram pelo projeto levam para a prática profissional a preparação lúdica como parte do cuidado, e não como atividade recreativa acessória.

A experiência está sistematizada em cinco artigos publicados e um capítulo de livro (2023), que documentam a percepção dos profissionais sobre o lúdico, o uso do brinquedo terapêutico no cuidado a crianças com câncer e em cuidados paliativos e a formação de estudantes de enfermagem — material que permite a outros serviços examinar o método antes de reproduzi-lo.

Sustentabilidade e reaplicação

O custo é baixo — materiais acessíveis, brinquedos confeccionados pela própria equipe —, mas a reposição sai de recursos próprios, e essa é a fragilidade principal: não há fonte de financiamento estável. Somam-se a rotatividade dos profissionais dos serviços, a disponibilidade de espaço físico e a necessidade de capacitação permanente das equipes. Por circularem em ambiente de saúde, os brinquedos exigem cuidado específico: Utilizamos alguns itens descartáveis e os brinquedos são higienizados com álcool 70% após cada uso e armazenados em embalagens individuais.

Para reaplicar, o que se transfere é o ciclo: identificar o procedimento, analisar seus fatores estressores, selecionar o recurso lúdico, confeccioná-lo ou adaptá-lo, capacitar os profissionais, aplicar, avaliar e aperfeiçoar. Nada nele depende de equipamento ou de tecnologia específica.

As frentes de aperfeiçoamento são a formação de multiplicadores nas equipes, a ampliação para outros suportes — vídeos, cartilhas e jogos — e a adaptação dos materiais para crianças com deficiência e com diferentes níveis de desenvolvimento.

Projetos executados

Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Em andamento. Período no catálogo: 2026. Local: campus Niterói, RJ. Edital de origem: Edital de Chamamento 2026. ODS: 3 – Saúde e bem-estar; 4 – Educação de qualidade; 10 – Redução das desigualdades; 17 – Parcerias e meios de implementação.

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