Histórico
A feira interativa nasceu como atividade de extensão na disciplina Trabalho de Campo Supervisionado 1B (TCS 1B), eixo Produção de Cuidado à Pessoa com Deficiência, quando discentes resolveram desenvolver e apresentar para crianças do nível Fundamental I, de um colégio municipal do município de Niterói, o que tinham entrado em contato, aprendido e apreendido sobre o referido tema durante o semestre. Assim, o objetivo principal foi realizar uma feira interativa para crianças do ensino fundamental e apresentar o cuidado e inclusão da Pessoa Com Deficiência, com destaque para os aspectos socioculturais, direitos da pessoa com deficiência, aparatos físicos e tecnológicos de apoio, jogos e possibilidades/inclusão no esporte. A feira interativa ocorreu em 1 dia, na parte da tarde, com três turmas de 25 alunas(os) em cada turma. Ao final, a quantidade de abraços, alegrias e expressão de contrariedade pelo fim da atividade mexeu com todas(os) as(os) discentes da graduação, diretora e professoras da escola. No momento da saída, algumas mães vieram falar com o grupo e agradecer. A realização da feira, os resultados recolhidos, a intenção de impactar na formação de cidadãos e cidadãs com vistas a um pensar, agir inclusivo, cuidadoso e sem preconceito, deram origem e foram inspiração para a criação, no dia 15 de janeiro de 2025, da Liga Acadêmica Saúde e Inclusão da Pessoa com Deficiência (LISIPD), uma liga interprofissional com a decisão de dar continuidade às atividades desenvolvidas na temática PCD em escolas públicas e privadas. Em 2026 as atividades estão mantidas e temos realizado ofertas para escolas públicas do município de Niterói.
Metodologia
A feira interativa tem como marcadores o uso e estímulo da criatividade, ludicidade e interesse. A experiência está mergulhada na acessibilidade e inclusão das PCD ao apresentar leitura em Braille, peças 3D para uso tátil e pedagógico, jogos sobre temática PCD, percurso com uso de bengalas, vendas nos olhos e cadeira de rodas, além de futebol para pessoas cegas ou de baixa visão com bola de guizo. A proposta, desenvolvida em 8 estações, implicava que cada grupo, de 3 ou 5 crianças, percorria cada estação por 3 minutos e, após esse tempo, passariam para a estação seguinte. Em cada estação estava presente 1 ou 2 discentes responsáveis por apresentar e desenvolver a proposta da referida estação: Estação 1 – Apresentação e convite para a escrita em Braille. Estação 2 – Apresentação e experimentação de peças em 3D para ensino e acessibilidade. Estação 3 – Ensinando o alfabeto em LIBRAS por meio de um jogo da memória. Estações 4 e 5 – Jogos relacionados ao tema PCD. Foi criado por uma discente, o Cara-Cara Paralímpico. Estação 6 – Compreensão acerca do uso de cordões de identificação. São apresentados os cordões Girassol e Autismo – O cordão de girassol é um símbolo utilizado para identificar pessoas com deficiências ocultas, incluindo o autismo, permitindo que elas recebam compreensão e suporte em locais públicos. Estação 7 – Próteses, bengalas, muletas e cadeira de rodas, permitindo que as crianças entrem em contato, toquem e assim, quem sabe, reduza o estranhamento e produza inclusão e aceitação. Estação 8 – Futebol para cegos e pessoas com baixa visão. Inspirado no jogo de Futebol de 5, a proposta é que a pessoa que irá chutar na direção do gol use uma venda, utilizando uma bola de guizo e a pessoa no gol é vidente. A direção do chute, para a pessoa que está de venda, terá ajuda de som.
Resultados e impactos
A Feira Interativa articula conhecimentos técnicos e experiências práticas, promovendo a educação em direitos humanos e inclusão desde a infância. Sua proposta não apenas compartilhou informações sobre aspectos socioculturais da deficiência, direitos das PCDs, recursos de acessibilidade e inclusão no esporte, como também mobilizou afetos e reflexões, a partir da escuta, da empatia e do reconhecimento da diversidade como valor. A significativa resposta das crianças e docentes demonstrou o impacto positivo da ação na comunidade escolar, contribuindo para a formação de uma cultura de respeito, equidade e cidadania.A experiência, com uma metodologia participativa, proporciona reflexões e engajamento na luta contra o preconceito às pessoas com deficiência, bem como ao capacitismo. Ao mesmo tempo, a interação de discentes da área da saúde com crianças em fase escolar (Fundamental I), amplia o olhar e a percepção do que pode ser feito fora do muro da universidade. Além disso, aponta sobre a importância da saúde em instituições para além dos serviços de saúde, trabalhando, também, com a promoção de uma formação mais especializada e inclusiva.Durante o desenvolvimento da experiência, foi possível perceber a resistência de algumas pessoas na inclusão de crianças com deficiência nas escolas, a presença de preconceitos frente às diferenças, os diferentes graus de capacitismo na sociedade, a dificuldade na construção de olhar singular, inclusivo e sem discriminação. Diante de todas essas questões, a Feira Interativa mostrou-se uma atividade aliada à saúde e à educação inclusiva, sendo também um movimento que relaciona conhecimentos intersetoriais na promoção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Desafios e perspectivas
Desafios: obtenção de recursos financeiros para melhor desenvolvimento das atividades e oferta da Feira Interativa para outros municípios além de Niterói. Uso de transporte da universidade.
Como perspectivas futuras: pesquisa e elaboração de artigos científicos para circulação do conhecimento construído.