Meninas nas Ciências
Histórico
O projeto Meninas nas Ciências – UFF surgiu a partir dos Ciclos de Palestras e Debates Meninas na Ciência, iniciados em 2017 pela Profa. Daisy Luz. Em 2019, após sua aposentadoria, a iniciativa foi reformulada e passou a adotar a denominação atual. Com a pandemia, em 2020, o projeto migrou para o ambiente digital e iniciou a produção de entrevistas com cientistas brasileiras no YouTube, posteriormente disponibilizadas também em formato de podcast no Spotify. No final daquele ano, houve a incorporação de novas estudantes e bolsistas, bem como o estabelecimento da parceria com a Fiocruz -Bahia. Em 2021, a rede de colaboradoras e entrevistadas foi ampliada e o projeto passou a integrar o Catálogo de Tecnologias Sociais da UFF.
Sua proposta central é promover a popularização da ciência por meio da representatividade feminina em uma perspectiva interseccional, dando visibilidade a cientistas negras, indígenas, LGBTQIAPN+, com deficiência e pertencentes a outros grupos historicamente minorizados. O projeto busca combater estereótipos de gênero, fortalecer o sentimento de pertencimento e mostrar a meninas e mulheres que elas podem ocupar espaços científicos, caso assim desejem. Essa atuação responde à redução progressiva da participação feminina ao longo da carreira acadêmica: embora as mulheres obtenham cerca de 54% dos títulos de doutorado no Brasil, representam aproximadamente 33% das pessoas contempladas com bolsas de Produtividade em Pesquisa do CNPq.
Atualmente, o projeto articula quatro frentes principais: entrevistas com cientistas de diferentes regiões e áreas do conhecimento; pesquisa e divulgação científica sobre desigualdade de gênero, diversidade e interseccionalidade; oficinas e atividades educativas em escolas públicas; e produção editorial. Em parceria com o programa Ciências sob Tendas e com a Dana Foundation/IBRO, as ações em escolas já alcançaram mais de 2.000 estudantes em 15 instituições de 11 municípios, aproximando a educação básica da universidade e estimulando reflexões sobre representatividade e carreiras científicas.
No ambiente digital, o canal do YouTube reúne 100 vídeos, 530 inscritos e mais de 10.800 visualizações. O perfil no Instagram conta atualmente com 4.194 seguidores e constitui um importante espaço para a divulgação de entrevistas, trajetórias de cientistas, pesquisas e conteúdos educativos relacionados à desigualdade de gênero nas ciências. A produção acadêmica e editorial inclui um artigo publicado na revista Neurociências & Sociedade, três livros e uma pesquisa em andamento, com cerca de 500 participantes, sobre a percepção de estudantes a respeito das mulheres nas ciências.
Ao longo de sua trajetória, o projeto recebeu fomentos da PROEX-UFF, foi reconhecido como Tecnologia Social pela AGIR/UFF e conquistou, em 2020, os prêmios Neurociências e Arte Nise da Silveira e Jovem Neurocientista Raymundo Francisco Bernardes. Em 2026, recebeu apoio da Brain Awareness Week, promovida pela Dana Foundation/IBRO.
Metodologia
O projeto desenvolve uma metodologia integrada de pesquisa, divulgação científica, formação e intervenção educativa. Uma de suas principais ações é a realização de entrevistas com mulheres cientistas de diferentes regiões do país e áreas do conhecimento, valorizando suas narrativas pessoais, trajetórias profissionais e os desafios enfrentados na carreira. Paralelamente, são realizadas pesquisas bibliográficas sobre mulheres que romperam barreiras históricas, desigualdade de gênero, diversidade e interseccionalidade, que subsidiam a elaboração de conteúdos educativos divulgados no site, no Instagram, no YouTube e no Spotify.
A metodologia também inclui oficinas, palestras e dinâmicas interativas em escolas públicas, planejadas de acordo com a faixa etária e a realidade de cada comunidade escolar. Essas ações estimulam a reflexão sobre estereótipos, representatividade e possibilidades de atuação nas ciências, promovendo a aproximação entre a educação básica e a universidade. O conhecimento produzido ainda é sistematizado em artigos, livros, materiais didáticos e pesquisas sobre a percepção de estudantes acerca das mulheres nas ciências.
A equipe é coordenada pela UFF, em parceria com a Fiocruz Bahia, e conta atualmente com duas bolsistas e várias voluntárias, provenientes de diferentes cursos e etapas de formação. Essa composição favorece a troca de saberes, a formação interdisciplinar, a participação ativa das estudantes e a produção coletiva de conhecimentos e materiais de divulgação científica.
Resultados e impactos
Entre os resultados do projeto, destacam-se as colunas “Mulheres Negras nas Ciências”, “Mulheres LGBTQIAPN+ nas Ciências” e “Mulheres Indígenas nas Ciências”, que ampliam a visibilidade de cientistas historicamente sub-representadas e promovem reflexões sobre racismo, machismo, LGBTQIAPN+fobia e outras formas de exclusão presentes no meio científico. Essas ações integram uma proposta de divulgação científica interseccional, voltada ao fortalecimento da representatividade e do sentimento de pertencimento de meninas e mulheres nas ciências.
Entre os principais resultados e impactos do projeto, destacam-se as visitas às escolas públicas, iniciadas em 2025 por meio da parceria com o programa Ciências sob Tendas e ampliadas, em 2026, com o apoio do Grant da Brain Awareness Week, da Dana Foundation/IBRO. Nessas ações, são realizadas oficinas e dinâmicas interativas sobre desigualdade de gênero, representatividade e participação feminina nas ciências, promovendo a aproximação entre a educação básica e a universidade. Até o momento, o projeto já alcançou mais de 2.000 estudantes em 15 instituições de 11 municípios.
Em conjunto com as visitas, iniciou-se uma nova etapa do projeto, voltada à realização de pesquisas de campo sobre as percepções de estudantes acerca da presença e da representatividade de mulheres brasileiras nas ciências. Essas investigações permitem identificar estereótipos, referências e possíveis mudanças de percepção, contribuindo para o desenvolvimento de atividades educativas mais adequadas aos diferentes públicos. Uma das pesquisas, com aproximadamente 500 participantes, encontra-se em fase de análise e escrita.
Também se destacam as colunas “Mulheres Negras nas Ciências”, “Mulheres LGBTQIAPN+ nas Ciências” e “Mulheres Indígenas nas Ciências”, que dão visibilidade a trajetórias historicamente sub-representadas e promovem reflexões sobre racismo, machismo, LGBTQIAPN+fobia e outras formas de exclusão. Essas ações integram uma proposta de divulgação científica interseccional, voltada ao fortalecimento da representatividade e do sentimento de pertencimento de meninas e mulheres.
O impacto do projeto expressa-se ainda na produção de 100 entrevistas com cientistas, divulgadas no YouTube e no Spotify; na publicação do artigo na revista Neurociências & Sociedade; e na produção editorial, que inclui os livros Mulher, vá fazer um sanduíche! Doutoramento no exterior e vivências acadêmicas e Meninas nas Ciências – UFF: Cientistas de Papel, contemplado no edital de editoração da FAPERJ 2026. Ao apresentar trajetórias diversas e modelos reais de identificação, o projeto contribui para que meninas e mulheres reconheçam a ciência como um espaço possível de formação, atuação profissional e transformação social.
Desafios e perspectivas
Os principais desafios do projeto estão relacionados à ausência de financiamento interno permanente e à escassez de bolsas destinadas aos extensionistas. Embora o Meninas nas Ciências – UFF tenha obtido recursos externos e apoios pontuais, essas fontes não garantem a continuidade financeira a longo prazo. Atualmente, o projeto dispõe de apenas duas bolsas, de modo que grande parte das atividades — produção de conteúdos, organização das entrevistas, ações nas escolas, pesquisas, divulgação científica e elaboração de materiais — depende do trabalho voluntário da equipe. Essa condição limita a expansão das ações e pode dificultar a permanência dos estudantes no projeto.
Como perspectivas futuras, busca-se ampliar e diversificar as fontes de financiamento, conquistar apoio institucional contínuo e aumentar o número de bolsas, favorecendo maior estabilidade e valorização do trabalho extensionista. Pretende-se também fortalecer as parcerias existentes, ampliar as visitas às escolas, dar continuidade às pesquisas de campo, expandir a produção editorial e alcançar novos públicos e municípios, mantendo o compromisso com a popularização da ciência, a representatividade e a aproximação entre universidade e educação básica.
Projetos executados
Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Em andamento. Período no catálogo: 2021–2026. Local: campus Niterói, RJ. ODS: 4 – Educação de qualidade; 5 – Igualdade de gênero; 10 – Redução das desigualdades.
Portfólio (3 item(ns))
-
meninasnasciencias.uff.br
Abrir link
Site
-
www.instagram.com
Abrir link
Instagram
-
www.youtube.com
Abrir link
YouTube