LASMUN – Liga Acadêmica de Saúde e Bem-Estar da Mulher Negra: promovendo educação em saúde por meio das redes sociais.
Histórico
A Liga Acadêmica de Saúde e Bem-Estar da Mulher Negra (LASMUN), vinculada ao Curso de Enfermagem da Universidade Federal Fluminense (UFF), foi criada com o propósito de fortalecer a formação acadêmica e promover ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas à saúde da população negra, com ênfase nas necessidades das mulheres negras. A iniciativa surgiu diante da persistência das desigualdades raciais no acesso aos serviços de saúde e à informação qualificada, reconhecendo o papel da universidade na produção e disseminação de conhecimentos comprometidos com a equidade e a justiça social.
O projeto enfrenta como problema social o racismo estrutural e institucional que permeia o cuidado em saúde, contribuindo para iniquidades no acesso, na qualidade da assistência e na efetivação das políticas públicas direcionadas à população negra. Mulheres negras e quilombolas vivenciam, de forma desproporcional, situações de vulnerabilidade relacionadas ao cuidado em saúde, agravadas pela insuficiência de informações acessíveis e culturalmente sensíveis. Nesse contexto, a educação em saúde constitui uma estratégia essencial para fortalecer o autocuidado, ampliar o acesso ao conhecimento e promover o exercício dos direitos em saúde.
A experiência teve como objetivo utilizar o Instagram da LASMUN como ferramenta de educação em saúde para ampliar o acesso à informação, promover o autocuidado e contribuir para o enfrentamento das desigualdades raciais em saúde. Além disso, buscou aproximar a universidade da comunidade, disseminar informações baseadas em evidências científicas e estimular a formação crítica e humanizada dos estudantes de enfermagem.
As ações são planejadas a partir das demandas identificadas nas atividades extensionistas vivenciadas durante o projeto de extensão na Atenção Primária à Saúde, subsidiando a produção de conteúdos educativos publicados no Instagram. As postagens abordam temas como saúde da mulher negra, saúde mental, autocuidado, racismo obstétrico, direitos em saúde e equidade racial, utilizando linguagem acessível, comunicação inclusiva e fundamentação científica. A divulgação sistemática desses conteúdos possibilitou ampliar significativamente o alcance das ações da liga, alcançando mais de 40 mil contas em 30 dias, além de favorecer o engajamento do público por meio de curtidas, compartilhamentos, comentários e salvamentos das publicações. A experiência evidencia o potencial das mídias sociais como ferramenta de educação em saúde, fortalecimento do letramento em saúde e promoção da equidade racial, ao mesmo tempo em que contribui para a formação acadêmica de estudantes comprometidos com uma assistência antirracista, humanizada e socialmente referenciada.
Metodologia
Trata-se de uma experiência extensionista de abordagem descritiva, desenvolvida pela Liga Acadêmica de Saúde e Bem-Estar da Mulher Negra (LASMUN), que articula ações presenciais e digitais como estratégias complementares de educação em saúde. A metodologia adotada baseia-se na identificação das demandas sociais e de saúde observadas durante as atividades presenciais do projeto de extensão, especialmente nas vivências realizadas na Atenção Primária à Saúde. A partir dessas experiências, são levantadas temáticas relacionadas às necessidades da população negra, com ênfase na saúde das mulheres negras, e quilombolas que posteriormente são transformadas em conteúdos educativos para divulgação nas redes sociais.
O processo de construção dos materiais envolve reuniões de planejamento entre os integrantes da liga, definição das temáticas prioritárias, levantamento científico das informações e elaboração de conteúdos com linguagem acessível, inclusiva e culturalmente sensível. As publicações são desenvolvidas em diferentes formatos, buscando ampliar a comunicação com diferentes públicos e favorecer o letramento em saúde.
Entre as principais atividades realizadas destacam-se a produção de vídeos educativos de aproximadamente um minuto, abordando temas específicos de forma objetiva e dinâmica, como autocuidado, saúde mental, prevenção de agravos, direitos em saúde e enfrentamento ao racismo nos serviços de saúde. Também são elaboradas publicações em formato carrossel, que apresentam informações organizadas em sequência, facilitando a compreensão de conteúdos mais complexos, além de artes educativas, cards informativos e conteúdos interativos que estimulam a participação dos seguidores.
Após a produção, os materiais são publicados no perfil oficial da LASMUN (@lasmunuffro) no Instagram e acompanhados por meio dos indicadores disponibilizados pela plataforma, como alcance, visualizações, curtidas, comentários, compartilhamentos e salvamentos. Essa avaliação permite compreender a interação do público com os conteúdos e identificar novas demandas para futuras ações educativas.
Dessa forma, a metodologia integra a experiência territorial proporcionada pela extensão universitária com as potencialidades das mídias digitais, utilizando o Instagram como ferramenta estratégica para ampliar o acesso à informação em saúde, fortalecer a autonomia dos indivíduos e promover discussões relacionadas à equidade racial e ao cuidado integral da população negra e quilombola.
Resultados e impactos
A experiência desenvolvida pela Liga Acadêmica de Saúde e Bem-Estar da Mulher Negra (LASMUN) demonstrou resultados significativos na ampliação do acesso à informação em saúde e na disseminação de conhecimentos relacionados à saúde da população negra e quilombola. A utilização do Instagram como ferramenta educativa possibilitou que os conteúdos produzidos ultrapassassem os espaços presenciais da extensão universitária, alcançando diferentes públicos e fortalecendo a comunicação em saúde por meio de uma linguagem acessível, científica e socialmente comprometida.
Como resultado concreto, o perfil da LASMUN alcançou mais de 40 mil contas em 30 dias, evidenciando o potencial das redes sociais como estratégia de divulgação de informações qualificadas. Observou-se participação ativa dos usuários por meio de curtidas, comentários, compartilhamentos e salvamentos das publicações, indicando interesse e interação com as temáticas abordadas. Os conteúdos publicados contribuíram para ampliar discussões sobre saúde da mulher negra, autocuidado, saúde mental, racismo obstétrico, direitos em saúde e equidade racial.
Entre os impactos observados nos beneficiários e na comunidade, destaca-se o fortalecimento do letramento em saúde, possibilitando maior acesso a informações que favorecem a autonomia, o reconhecimento de direitos e a adoção de práticas de autocuidado. A experiência também contribuiu para dar visibilidade às especificidades vivenciadas pela população negra nos serviços de saúde, estimulando reflexões sobre racismo institucional e a necessidade de uma assistência mais equânime e humanizada.
No âmbito acadêmico, a experiência proporcionou aos estudantes integrantes da LASMUN o desenvolvimento de competências relacionadas à educação em saúde, comunicação científica, produção de conteúdos digitais e atuação profissional comprometida com a equidade racial. A articulação entre extensão universitária e mídias sociais fortaleceu a aproximação entre universidade e comunidade, ampliando o papel social da formação em saúde.
Desafios e perspectivas
Apesar dos resultados alcançados, a experiência também apresentou desafios relacionados à produção contínua de conteúdos digitais, como a necessidade de conciliar a elaboração dos materiais com as atividades acadêmicas dos estudantes, garantir a atualização científica das informações divulgadas e desenvolver estratégias de comunicação capazes de dialogar com diferentes públicos. Outro desafio consiste em ampliar a participação da comunidade e fortalecer a interação para que as demandas identificadas no território continuem orientando a construção das ações educativas.
Como perspectivas futuras, pretende-se dar continuidade à produção e divulgação de conteúdos educativos, ampliar as estratégias de interação com o público, fortalecer parcerias com profissionais de saúde, pesquisadores e movimentos sociais, além de desenvolver novas ações presenciais e digitais voltadas à promoção da saúde da população negra e quilombola. Busca-se também aprimorar as estratégias de monitoramento dos impactos gerados pelas ações, fortalecendo o papel da LASMUN como espaço de educação em saúde, valorização da equidade racial e formação de estudantes comprometidos com uma assistência humanizada, antirracista e socialmente referenciada.
Projetos executados
Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Em andamento. Período no catálogo: 2025–2026. Local: campus Rio das Ostras, RJ. Edital de origem: Edital de Chamamento 2026. ODS: 3 – Saúde e bem-estar; 4 – Educação de qualidade; 5 – Igualdade de gênero; 10 – Redução das desigualdades; 18 – Igualdade Étnico-Racial; 19 – Arte, Cultura e Comunicação; 20 – Direitos dos Povos Originários e Comunidades Tradicionais.
Portfólio (5 item(ns))
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