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Ana Cláudia Mateus Barreto

Departamento de Enfermagem · UFF

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Habilidades

LASMUN – Liga Acadêmica de Saúde e Bem-Estar da Mulher Negra: promovendo educação em saúde por meio das redes sociais.

Área principal: Ciências Humanas Área secundária: Ciências da Saúde Área secundária: Linguística, Letras e Artes Tecnologias Baseadas em Conhecimento Tradicional Tecnologias de Processo Tecnologias Digitais Tecnologias Sociais Híbridas #Acesso a direitos e cidadania #Comunidades urbanas periféricas #Cultura e Identidade #Mulheres #ODS 10 #ODS 18 #ODS 19 #ODS 20 #ODS 3 #ODS 4 #ODS 5 #População rural #Povos tradicionais #Saúde e Bem-estar #Tecnologia Social

Histórico

A Liga Acadêmica de Saúde e Bem-Estar da Mulher Negra (LASMUN), vinculada ao Curso de Enfermagem da Universidade Federal Fluminense (UFF), foi criada com o propósito de fortalecer a formação acadêmica e promover ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas à saúde da população negra, com ênfase nas necessidades das mulheres negras. A iniciativa surgiu diante da persistência das desigualdades raciais no acesso aos serviços de saúde e à informação qualificada, reconhecendo o papel da universidade na produção e disseminação de conhecimentos comprometidos com a equidade e a justiça social.

O projeto enfrenta como problema social o racismo estrutural e institucional que permeia o cuidado em saúde, contribuindo para iniquidades no acesso, na qualidade da assistência e na efetivação das políticas públicas direcionadas à população negra. Mulheres negras e quilombolas vivenciam, de forma desproporcional, situações de vulnerabilidade relacionadas ao cuidado em saúde, agravadas pela insuficiência de informações acessíveis e culturalmente sensíveis. Nesse contexto, a educação em saúde constitui uma estratégia essencial para fortalecer o autocuidado, ampliar o acesso ao conhecimento e promover o exercício dos direitos em saúde.

A experiência teve como objetivo utilizar o Instagram da LASMUN como ferramenta de educação em saúde para ampliar o acesso à informação, promover o autocuidado e contribuir para o enfrentamento das desigualdades raciais em saúde. Além disso, buscou aproximar a universidade da comunidade, disseminar informações baseadas em evidências científicas e estimular a formação crítica e humanizada dos estudantes de enfermagem.

As ações são planejadas a partir das demandas identificadas nas atividades extensionistas vivenciadas durante o projeto de extensão na Atenção Primária à Saúde, subsidiando a produção de conteúdos educativos publicados no Instagram. As postagens abordam temas como saúde da mulher negra, saúde mental, autocuidado, racismo obstétrico, direitos em saúde e equidade racial, utilizando linguagem acessível, comunicação inclusiva e fundamentação científica. A divulgação sistemática desses conteúdos possibilitou ampliar significativamente o alcance das ações da liga, alcançando mais de 40 mil contas em 30 dias, além de favorecer o engajamento do público por meio de curtidas, compartilhamentos, comentários e salvamentos das publicações. A experiência evidencia o potencial das mídias sociais como ferramenta de educação em saúde, fortalecimento do letramento em saúde e promoção da equidade racial, ao mesmo tempo em que contribui para a formação acadêmica de estudantes comprometidos com uma assistência antirracista, humanizada e socialmente referenciada.

Metodologia

Trata-se de uma experiência extensionista de abordagem descritiva, desenvolvida pela Liga Acadêmica de Saúde e Bem-Estar da Mulher Negra (LASMUN), que articula ações presenciais e digitais como estratégias complementares de educação em saúde. A metodologia adotada baseia-se na identificação das demandas sociais e de saúde observadas durante as atividades presenciais do projeto de extensão, especialmente nas vivências realizadas na Atenção Primária à Saúde. A partir dessas experiências, são levantadas temáticas relacionadas às necessidades da população negra, com ênfase na saúde das mulheres negras, e quilombolas que posteriormente são transformadas em conteúdos educativos para divulgação nas redes sociais.

O processo de construção dos materiais envolve reuniões de planejamento entre os integrantes da liga, definição das temáticas prioritárias, levantamento científico das informações e elaboração de conteúdos com linguagem acessível, inclusiva e culturalmente sensível. As publicações são desenvolvidas em diferentes formatos, buscando ampliar a comunicação com diferentes públicos e favorecer o letramento em saúde.

Entre as principais atividades realizadas destacam-se a produção de vídeos educativos de aproximadamente um minuto, abordando temas específicos de forma objetiva e dinâmica, como autocuidado, saúde mental, prevenção de agravos, direitos em saúde e enfrentamento ao racismo nos serviços de saúde. Também são elaboradas publicações em formato carrossel, que apresentam informações organizadas em sequência, facilitando a compreensão de conteúdos mais complexos, além de artes educativas, cards informativos e conteúdos interativos que estimulam a participação dos seguidores.

Após a produção, os materiais são publicados no perfil oficial da LASMUN (@lasmunuffro) no Instagram e acompanhados por meio dos indicadores disponibilizados pela plataforma, como alcance, visualizações, curtidas, comentários, compartilhamentos e salvamentos. Essa avaliação permite compreender a interação do público com os conteúdos e identificar novas demandas para futuras ações educativas.

Dessa forma, a metodologia integra a experiência territorial proporcionada pela extensão universitária com as potencialidades das mídias digitais, utilizando o Instagram como ferramenta estratégica para ampliar o acesso à informação em saúde, fortalecer a autonomia dos indivíduos e promover discussões relacionadas à equidade racial e ao cuidado integral da população negra e quilombola.

Resultados e impactos

A experiência desenvolvida pela Liga Acadêmica de Saúde e Bem-Estar da Mulher Negra (LASMUN) demonstrou resultados significativos na ampliação do acesso à informação em saúde e na disseminação de conhecimentos relacionados à saúde da população negra e quilombola. A utilização do Instagram como ferramenta educativa possibilitou que os conteúdos produzidos ultrapassassem os espaços presenciais da extensão universitária, alcançando diferentes públicos e fortalecendo a comunicação em saúde por meio de uma linguagem acessível, científica e socialmente comprometida.

Como resultado concreto, o perfil da LASMUN alcançou mais de 40 mil contas em 30 dias, evidenciando o potencial das redes sociais como estratégia de divulgação de informações qualificadas. Observou-se participação ativa dos usuários por meio de curtidas, comentários, compartilhamentos e salvamentos das publicações, indicando interesse e interação com as temáticas abordadas. Os conteúdos publicados contribuíram para ampliar discussões sobre saúde da mulher negra, autocuidado, saúde mental, racismo obstétrico, direitos em saúde e equidade racial.

Entre os impactos observados nos beneficiários e na comunidade, destaca-se o fortalecimento do letramento em saúde, possibilitando maior acesso a informações que favorecem a autonomia, o reconhecimento de direitos e a adoção de práticas de autocuidado. A experiência também contribuiu para dar visibilidade às especificidades vivenciadas pela população negra nos serviços de saúde, estimulando reflexões sobre racismo institucional e a necessidade de uma assistência mais equânime e humanizada.

No âmbito acadêmico, a experiência proporcionou aos estudantes integrantes da LASMUN o desenvolvimento de competências relacionadas à educação em saúde, comunicação científica, produção de conteúdos digitais e atuação profissional comprometida com a equidade racial. A articulação entre extensão universitária e mídias sociais fortaleceu a aproximação entre universidade e comunidade, ampliando o papel social da formação em saúde.

Desafios e perspectivas

Apesar dos resultados alcançados, a experiência também apresentou desafios relacionados à produção contínua de conteúdos digitais, como a necessidade de conciliar a elaboração dos materiais com as atividades acadêmicas dos estudantes, garantir a atualização científica das informações divulgadas e desenvolver estratégias de comunicação capazes de dialogar com diferentes públicos. Outro desafio consiste em ampliar a participação da comunidade e fortalecer a interação para que as demandas identificadas no território continuem orientando a construção das ações educativas.

Como perspectivas futuras, pretende-se dar continuidade à produção e divulgação de conteúdos educativos, ampliar as estratégias de interação com o público, fortalecer parcerias com profissionais de saúde, pesquisadores e movimentos sociais, além de desenvolver novas ações presenciais e digitais voltadas à promoção da saúde da população negra e quilombola. Busca-se também aprimorar as estratégias de monitoramento dos impactos gerados pelas ações, fortalecendo o papel da LASMUN como espaço de educação em saúde, valorização da equidade racial e formação de estudantes comprometidos com uma assistência humanizada, antirracista e socialmente referenciada.

Projetos executados

Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Em andamento. Período no catálogo: 2025–2026. Local: campus Rio das Ostras, RJ. Edital de origem: Edital de Chamamento 2026. ODS: 3 – Saúde e bem-estar; 4 – Educação de qualidade; 5 – Igualdade de gênero; 10 – Redução das desigualdades; 18 – Igualdade Étnico-Racial; 19 – Arte, Cultura e Comunicação; 20 – Direitos dos Povos Originários e Comunidades Tradicionais.

CineLASMUN: Tela Preta, Vozes Negras

Área principal: Ciências Humanas Área secundária: Ciências da Saúde Área secundária: Linguística, Letras e Artes Tecnologias Sociais Híbridas #Juventude #ODS 10 #ODS 18 #ODS 3 #ODS 4 #Popularização da ciência e tecnologia #Saúde e Bem-estar #Tecnologia Social

Tecnologia Social: Cineclube dialógico de educação popular em saúde e letramento racial

Descrição

A Tecnologia Social desenvolvida consiste em uma metodologia de educação popular em saúde que utiliza o audiovisual como dispositivo de sensibilização, diálogo e construção coletiva de conhecimento sobre saúde e desigualdades raciais, no encadeamento cinema → identificação → diálogo → problematização → construção coletiva → reflexão sobre a realidade → formação para práticas antirracistas.

O que se reaplica é esse encadeamento, não a lista de filmes. Ele não exige equipamento complexo: bastam uma obra pertinente ao tema, um espaço de exibição coletiva e alguém disposto a mediar a conversa em vez de conduzi-la.

O ciclo se organiza em sete etapas:

1. Definição do tema, a partir das demandas observadas junto aos participantes e dos objetivos formativos — saúde da população negra, racismo, identidade, violência, direitos e determinantes sociais da saúde.
2. Seleção da obra audiovisual entre produções com protagonismo negro que permitam problematizar desigualdades raciais e condições de vida e saúde.
3. Mobilização e divulgação junto a estudantes, profissionais e comunidade externa, pelos canais institucionais e pelas redes sociais do projeto.
4. Exibição coletiva, seguida de roda de conversa mediada pela equipe, em que a narrativa da tela é relacionada a experiências sociais concretas.
5. Problematização, momento em que os participantes trazem percepções, vivências, questionamentos e sugestões para os encontros seguintes.
6. Avaliação ao final de cada encontro, sobre conteúdo, metodologia e contribuição da atividade para a formação.
7. Sistematização dos aprendizados, demandas e sugestões pela equipe, que orienta a escolha do tema seguinte.

O problema

O racismo opera como determinante social da saúde: afeta o acesso aos serviços, a qualidade do cuidado recebido e a saúde física e mental da população negra. Entre as mulheres negras, a desvantagem nos indicadores de saúde, no acesso e na qualidade da assistência é histórica e não circunstancial — resulta de processos estruturais que combinam racismo, sexismo e assimetrias socioeconômicas, e que atingem também a saúde mental, a autoestima, o acesso à informação e o exercício de direitos.

Esse conjunto raramente é discutido fora da dimensão biomédica. Nos serviços e na formação em saúde faltam espaços em que racismo estrutural, letramento racial, identidade, violência e direitos sociais sejam tratados a partir da experiência de quem os vive, e não apenas como conteúdo de aula. Sem esse espaço, o profissional se forma sem reconhecer o racismo como determinante do quadro que atende, e a população negra não encontra onde nomear coletivamente o que atravessa seu cuidado.

É a essa ausência de espaço de escuta e debate entre universidade e comunidade que a experiência responde.

Construção da solução

A escolha do cinema como meio não foi estética, e sim metodológica: o audiovisual produz identificação e sensibilização antes de produzir argumento, e é dessa identificação que a conversa parte — o que aproxima universidade e comunidade sem exigir do participante repertório teórico prévio. Uma exposição sobre racismo em saúde mantém a distância entre quem fala e quem escuta; uma narrativa em tela desfaz essa posição.

O CineLASMUN foi criado em 2026, por iniciativa de estudantes e docente orientadora da Liga Acadêmica de Saúde e Bem-Estar da Mulher Negra (LASMUN), em Rio das Ostras (RJ), e já realizou três edições, com temas como racismo estrutural a partir da perspectiva das empregadas domésticas negras, sexismo, violência patrimonial, trauma transgeracional e violência doméstica, e saúde mental.

A opção por obras com protagonismo negro é constitutiva do método. São elas que permitem reconhecer na tela situações de desigualdade racial que os participantes relacionam às próprias vivências e ao que observam nos serviços de saúde, e é essa relação que a roda de conversa transforma em discussão sobre determinantes sociais, direitos e cuidado.

A composição do grupo também moldou a experiência. Estudantes de diferentes cursos da saúde e das ciências sociais, docentes e público externo passaram a compor as sessões, e a diversidade de repertório na roda tornou-se parte do método, e não um efeito colateral dele.

Participação e apropriação

Hoje quem define o tema e escolhe a obra é a equipe. A comunidade participa como público das sessões e, dentro da roda de conversa, com peso real: é ali que os participantes trazem relatos, questionamentos e sugestões de tema, e é do registro dessas sugestões que sai a pauta do encontro seguinte. A influência existe, portanto, mas é indireta — a decisão continua com a equipe.

Ampliar essa participação para a definição dos temas, a escolha das obras e o planejamento das atividades é a mudança que o projeto se propõe a fazer.

A metodologia é simples o bastante para ser operada por quem não pertence à equipe: exibir, mediar, escutar e registrar não exigem formação técnica específica. O que falta é o roteiro escrito — a sistematização da metodologia, com critérios de escolha das obras, preparação da sessão, questões disparadoras e instrumentos de avaliação, é a condição para que outro grupo a conduza sem acompanhamento.

Resultados e transformações

Nas edições realizadas, o projeto reuniu 33 inscritos em abril e 56 em maio, num total de 89 inscrições.

O alcance extrapolou o entorno da universidade. As sessões reúnem estudantes de cursos como Serviço Social, Psicologia e Enfermagem e público externo — pessoas idosas, homens brancos, quilombolas, mães e crianças —, inclusive de localidades distantes do campus. Para uma discussão sobre racismo em saúde, a composição do público é em si um resultado: a roda deixa de ser conversa entre pares e passa a reunir quem vive o problema de posições diferentes.

Os efeitos precisam ser lidos em três níveis. Os resultados imediatos são as sessões realizadas e os participantes alcançados. Os efeitos são o que os participantes relatam ao fim de cada encontro. Os impactos sobre práticas e relações são mais duradouros e ainda não contam com instrumentos sistemáticos de avaliação que permitam afirmá-los.

Para os estudantes, a experiência é formativa: coloca a equidade racial dentro da prática profissional que estão aprendendo, e não ao lado dela.

Sustentabilidade e reaplicação

A estrutura de custo é baixa: recursos audiovisuais disponíveis institucionalmente, espaço de uso coletivo e trabalho de estudantes e docentes. Nenhuma despesa indispensável depende de financiamento externo para que uma sessão aconteça — o que exige recurso é ampliar divulgação, infraestrutura e produção, e é isso que hoje limita o alcance, mais do que a metodologia.

A continuidade depende da manutenção da equipe e da articulação com parceiros. A rotatividade de estudantes de diferentes cursos funciona como mecanismo de renovação, mas sustentar a participação da comunidade ao longo das edições e chegar a públicos externos à universidade permanece o desafio mais persistente.

A reaplicação é viável em escolas, universidades, unidades de saúde e associações comunitárias, com a obra e as questões disparadoras adaptadas ao público e ao território. Duas condições precisam ser atendidas antes: a sistematização da metodologia em roteiro, hoje inexistente, e a articulação com organizações comunitárias e instituições de saúde e educação que assegurem a presença do público que a discussão pretende alcançar.

Projetos executados

Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Em andamento. Período no catálogo: 2026. Local: campus Rio das Ostras, RJ. Edital de origem: Edital de Chamamento 2026. ODS: 18 – Igualdade Étnico-Racial; 3 – Saúde e bem-estar; 4 – Educação de qualidade; 10 – Redução das desigualdades.

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