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Ana Paula Mendes de Miranda

Departamento de Antropologia · UFF

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Skills

Curso de Especialização em Políticas Públicas de Justiça Criminal e Segurança Pública

Primary field: Ciências Humanas #Formação de recursos humanos e intervenção social #Tecnologia Social

Com quase duas décadas de existência, de 1999 até 2018, o “Curso de Especialização em Políticas Públicas de Justiça Criminal e Segurança Pública” tinha como objetivo estimular os estudantes a pensarem de forma crítica sobre a prestação de serviços de Segurança Pública e Justiça Criminal no Brasil, superando uma ótica legalista/juridicista e militarista que predomina neste campo. O estímulo à produção de pesquisas empíricas sobre Segurança Pública e Justiça Criminal obteve como foco o estímulo à reflexão sobre os fenômenos da “violência”, “crime”, entre outros, a partir de uma abordagem própria das Ciências Humanas e Sociais. Também esperava-se que tal formação permitisse aos estudantes adquirir conhecimentos necessários para propor e avaliar políticas públicas na área da Segurança Pública e do Acesso à Justiça, nos níveis Federal, Estadual e Municipal, bem como desenvolver tecnologias sociais para administrar conflitos, valorizando o reconhecimento de direitos de cidadania, as reivindicações das minorias e a proteção dos direitos coletivos e difusos na sociedade brasileira. A inovação desta iniciativa reside na sua proposta metodológica voltada à superação de um modelo instrucional, que tem por finalidade proporcionar um saber teórico (abstrato) ou prático (operacional), característico das instituições de ensino policiais, modelo este que não considera os contextos empíricos, nem leva em conta a natureza dos conflitos que os agentes de segurança e justiça se ocupam em seus cotidianos. O enfoque epistemológico volta-se para a desconstrução de valores institucionais não democráticos, de modo a favorecer uma interlocução sobre os modelos contemporâneos de produção de controle social em conformidade com a garantia dos direitos à diversidade e à diferença em diferentes contextos sociais. Seu público-alvo eram profissionais graduados em diversas áreas, mas especialmente os profissionais graduados do campo da Segurança Pública e Justiça Criminal. O curso integrou a Rede Nacional de Altos Estudos em Segurança Pública (RENAESP), programa desenvolvido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, desde 2008, com o objetivo de formar profissionais desse campo no nível de pós-graduação lato sensu. Assim, a experiência em tela também se propôs a democratizar o acesso desses profissionais – sem distinção hierárquica – aos processos de aprendizagem e aperfeiçoamento profissional em relação à conflitividade social e os processos institucionais de administração de conflitos. Desde sua primeira edição, o curso realizou 15 turmas e formou 301 especialistas até 2018, quando foi encerrado. A proposta do curso surgiu de uma iniciativa de professores e pesquisadores da UFF e de Oficiais da Escola Superior de Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (ESPM/RJ). Ao longo de seu funcionamento, o curso publicou 5 coletâneas contendo monografias selecionadas dos estudantes, sendo 4 delas publicadas pela EDUFF. O volume 1, Políticas públicas de segurança, informação e análise criminal, está disponível no site da editora para download.

Completed projects

Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Encerrada. Período no catálogo: 2017–2023.

GINGA-UFF

Primary field: Ciências Sociais Aplicadas Secondary field: Ciências Humanas Secondary field: Linguística, Letras e Artes Secondary field: Sustentabilidade e Meio Ambiente Tecnologias Baseadas em Conhecimento Tradicional Tecnologias de Processo #Direitos Humanos e Cidadania #Formação de recursos humanos e intervenção social #ODS 16 #ODS 18 #ODS 19 #ODS 20 #Povos tradicionais #Tecnologia Social

Histórico

O Ginga-UFF é uma iniciativa de pesquisa, extensão e inovação social da Universidade Federal Fluminense dedicada à criação colaborativa de tecnologias sociais para administrar conflitos e compartilhar conhecimento. Institucionalizado em 2021 no Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA-UFF) e no Departamento de Antropologia (GAP-UFF), o grupo consolidou uma trajetória de pesquisas iniciada em 2008 pela professora Ana Paula Mendes de Miranda.
As pesquisas do Ginga-UFF analisam a mobilização dos povos de terreiro pelo reconhecimento e pela garantia de seus direitos como povos e comunidades tradicionais, conforme o Decreto nº 6.040/2007. Esse percurso ampliou os estudos sobre conflitos étnico-raciais e religiosos e gerou conhecimento para combater o racismo religioso, integrando pesquisa antropológica, formação, divulgação científica e atuação em políticas públicas.
Desde sua criação, o Ginga-UFF organiza suas atividades em cinco eixos complementares: formação continuada de pesquisadores; estudos sobre conflitos étnico-raciais e religiosos; criação de tecnologias sociais para administrar esses conflitos; apoio às mobilizações pela garantia de direitos e pelo enfrentamento do racismo religioso; e valorização e divulgação dos saberes tradicionais e dos resultados das pesquisas.
Ao longo de sua trajetória, o grupo formou uma ampla rede de cooperação com universidades, povos de terreiro, escolas públicas, órgãos de justiça e segurança, gestores públicos, parlamentares e organizações da sociedade civil. Essa articulação permitiu transformar os resultados das pesquisas em ações de formação, materiais educativos, assessorias institucionais, processos de divulgação científica e espaços permanentes de diálogo entre universidade e comunidades tradicionais. Essas iniciativas vêm contribuindo para qualificar o atendimento às vítimas de racismo religioso nos sistemas de segurança e justiça, fortalecer a formação de profissionais da educação para a implementação da Lei nº 10.639/2003 e ampliar a visibilidade pública das demandas e dos direitos dos povos de terreiro.
A continuidade da experiência ampliou a agenda do Ginga-UFF. Além do enfrentamento do racismo religioso e da defesa de direitos, o grupo passou a abordar justiça climática, transição energética e sustentabilidade em territórios tradicionais. Essa expansão demonstra a capacidade da tecnologia social de responder a novos desafios identificados no trabalho de campo e nas demandas das comunidades parceiras. Essa trajetória demonstra que a produção compartilhada de conhecimento antropológico pode gerar tecnologias sociais capazes de qualificar práticas institucionais, fortalecer processos de mobilização social e ampliar o reconhecimento dos direitos dos povos de terreiro, mantendo permanente diálogo entre universidade, comunidades tradicionais e poder público.

Metodologia

A metodologia do Ginga-UFF fundamenta-se na antropologia enredada, abordagem desenvolvida por sua coordenadora para produzir conhecimento a partir de relações contínuas de confiança, interlocução e corresponsabilidade entre pesquisadores, povos de terreiro, instituições públicas e organizações da sociedade civil. O termo “enredada” destaca que a pesquisa se constrói em redes de relações, nas quais os participantes não são apenas fontes de informação, mas interlocutores que contribuem para formular problemas, interpretar experiências e definir caminhos de atuação. Em vez de intervenções pontuais, a abordagem valoriza vínculos duradouros construídos no trabalho de campo e integra pesquisa, formação, extensão e atuação pública.
A continuidade dessas relações permite acompanhar mudanças sociais, compreender conflitos em seus contextos e formular respostas com os atores envolvidos. Essa perspectiva orienta uma metodologia colaborativa baseada em observação participante, entrevistas, análise documental, organização de bases de dados e acompanhamento das mobilizações dos povos de terreiro. Os resultados são discutidos com lideranças religiosas, pesquisadores, estudantes, educadores, gestores públicos e demais parceiros, favorecendo a validação das análises, a definição de prioridades e o ajuste das ações.
Nesse processo, a tecnologia social não corresponde a um produto isolado, mas a uma metodologia que transforma o conhecimento antropológico em instrumentos de gestão de conflitos, formação, divulgação científica e apoio a políticas públicas. A pesquisa gera materiais didáticos e audiovisuais, bases de dados, eventos, assessorias técnicas e ações formativas e institucionais. Esses resultados ampliam o reconhecimento dos direitos dos povos de terreiro e qualificam a atuação de profissionais da educação, segurança pública, justiça e patrimônio.
A metodologia é cumulativa, reflexiva e adaptável: cada ação produz aprendizados que retornam à pesquisa e orientam novos ciclos de intervenção. A avaliação contínua com as comunidades parceiras permite incorporar demandas emergentes sem abandonar os princípios de produção compartilhada do conhecimento e valorização dos saberes tradicionais. Assim, o Ginga-UFF ampliou sua atuação para temas como justiça climática, transição energética e sustentabilidade em territórios tradicionais, preservando a articulação entre universidade, comunidades e poder público.
A metodologia também reconhece seus limites. Embora contribua para qualificar práticas institucionais, formar profissionais, fortalecer mobilizações e ampliar o reconhecimento de direitos, não mede diretamente a redução das desigualdades, que depende de políticas públicas amplas e contínuas. A iniciativa permanece vinculada à universidade e obtém recursos por meio de editais e parcerias institucionais; por isso, a autonomia financeira não é considerada requisito para sua continuidade.

Resultados e impactos

Desde 2008 e sua institucionalização, em 2022, o Ginga-UFF consolidou uma tecnologia social que converte pesquisa antropológica em formação, mobilização, divulgação científica e apoio a políticas públicas para os povos de terreiro. Seus resultados incluem produção de conhecimento, redes de cooperação e articulação entre universidade, comunidades e instituições públicas.
Na pesquisa, desenvolveu métodos de documentação e análise de conflitos étnico-raciais e religiosos e reuniu 1.828 publicações jornalísticas, 2.173 eventos e 698 conflitos em banco de dados próprio. O acervo apoia pesquisa, ensino, extensão, materiais educativos e divulgação científica, dá visibilidade às mobilizações e oferece informações a pesquisadores, gestores e organizações sociais.
Na formação, promoveu cursos, oficinas, assessorias, seminários e capacitações para pesquisadores, estudantes, professores, profissionais da segurança e da justiça e gestores. As ações qualificam o atendimento às vítimas de racismo religioso, apoiam a Lei nº 10.639/2003 e ampliam o reconhecimento dos direitos dos povos tradicionais.
A antropologia enredada, baseada em confiança e produção compartilhada do conhecimento, sustentou uma rede com universidades, povos de terreiro, escolas, órgãos de justiça e segurança, gestores, parlamentares e organizações sociais. Essa articulação converteu pesquisas em materiais didáticos e audiovisuais, assessorias, eventos, divulgação e espaços permanentes de diálogo.
A escuta das demandas surgidas no trabalho de campo e nas mobilizações também ampliou a agenda para justiça climática, transição energética e sustentabilidade em territórios tradicionais, evidenciando a capacidade de adaptação da tecnologia social.
A iniciativa foi incluída no Catálogo de Tecnologias Sociais da AGIR/UFF (2023) e recebeu, em 2024, o II Prêmio de Divulgação Científica da 34ª Reunião Brasileira de Antropologia, o Prêmio ANPOCS de Divulgação Científica — Jornalismo e o Troféu Iyá Nitinha D'Osun. Em 2026, na 35ª Reunião Brasileira de Antropologia, obteve menções honrosas pelo “Portal Ginga-UFF”, na categoria Blogs e Sites, e pelo “Encontro Ginga”, na categoria Ações Presenciais, Intervenções Públicas e Dispositivos Curatoriais. Os reconhecimentos destacam a transformação da produção científica em tecnologia social e diálogo além da academia.
Resultados, materiais e formações circulam no Instagram, @gingauff, e no YouTube, ampliando o acesso público e o diálogo entre universidade e sociedade.
Embora não seja possível medir diretamente sua contribuição para a redução das desigualdades, o Ginga-UFF qualifica práticas institucionais, fortalece mobilizações, amplia o reconhecimento de direitos e subsidia políticas públicas. A iniciativa possui continuidade organizacional por estar vinculada à universidade e apoiada por sua rede de parceiros, mas não dispõe de autonomia financeira: a execução das atividades depende da obtenção de recursos por meio de editais e parcerias institucionais.

Desafios e perspectivas

Os principais desafios decorrem da dinâmica de sua tecnologia social. A antropologia enredada, baseada em relações de confiança e na produção colaborativa do conhecimento, permite que novas agendas de pesquisa e intervenção surjam do trabalho de campo e das mobilizações dos povos de terreiro. Assim, os desafios aprofundam seus princípios, métodos e compromissos.
Em 2026, essa perspectiva levou à criação do projeto “Política de Terreiros: Transição Energética, Justiça Climática e Sustentabilidade para os Povos Tradicionais”, que amplia as pesquisas sobre justiça climática, justiça racial, sustentabilidade e garantia de direitos. A proposta reconhece que as vulnerabilidades de povos de terreiro envolvem desigualdades no acesso à infraestrutura, às políticas públicas e aos recursos naturais necessários à manutenção de seus modos de vida.
Essa etapa deriva das fases anteriores do projeto “Política de Terreiros”, cujo foco recaía sobre conflitos étnico-raciais e religiosos, mas que o trabalho de campo revelou violações de direitos também na dimensão ambiental. Práticas religiosas são, por vezes, tratadas indevidamente como ameaças ao meio ambiente, restringindo o acesso a florestas, cachoeiras, rios e outros espaços naturais indispensáveis às tradições. Em contraponto, os terreiros adotam práticas sustentáveis, como manejo responsável de recursos naturais e energia solar, reduzindo custos, preservando o ambiente e fortalecendo a autonomia dos territórios.
Esses resultados reforçam o lugar dos povos tradicionais como produtores de conhecimento, sujeitos políticos e protagonistas de soluções sustentáveis e includentes. O Ginga-UFF pretende estruturar um programa permanente de formação, pesquisa e articulação institucional para elaborar diretrizes de políticas públicas, fortalecer práticas sustentáveis nos territórios e desenvolver tecnologias sociais que integrem gestão de conflitos, inovação social e saberes locais.
Outra perspectiva é ampliar a abrangência territorial. Já foram pesquisadas 22 capitais e regiões metropolitanas, formando uma base nacional sobre conflitos, mobilizações e políticas públicas relacionadas aos povos de terreiro. Nos próximos anos, o projeto pretende concluir o mapeamento das áreas ainda não pesquisadas, aprofundar comparações regionais e consolidar ações iniciadas em Sergipe, acompanhando a implementação da Lei do Abril Verde, e em Alagoas. A expansão fortalecerá parcerias institucionais e ampliará a incidência das tecnologias sociais do grupo.
A perspectiva do Ginga-UFF é consolidar uma agenda nacional de pesquisa, formação e inovação social capaz de responder aos novos desafios dos povos de terreiro. O eixo permanente será transformar a pesquisa antropológica em tecnologias sociais voltadas à garantia de direitos, à gestão de conflitos, à sustentabilidade dos territórios tradicionais e ao aperfeiçoamento das políticas públicas, preservando o diálogo entre universidade, comunidades e instituições.

Completed projects

Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Em andamento. Período no catálogo: 2023–2026. Local: campus Niterói, RJ. Edital de origem: Edital de Chamamento 2026. ODS: 20 – Direitos dos Povos Originários e Comunidades Tradicionais; 16 – Paz, justiça e instituições eficazes; 18 – Igualdade Étnico-Racial; 19 – Arte, Cultura e Comunicação.

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