Projeto Artemísia
Histórico
O Projeto Artemísia foi concebido em 2021 em uma parceria entre a Universidade Federal Fluminense (UFF) e o Movimento Cidade no Feminino, como uma tecnologia voltada ao fortalecimento da autonomia, do empoderamento e da inclusão produtiva de mulheres em situação de vulnerabilidade social, por meio da bioeconomia, da educação ambiental e do empreendedorismo social.
Criado em resposta às dificuldades de geração de renda, à insegurança econômica e às desigualdades de acesso à capacitação profissional observadas em territórios periféricos, o projeto evoluiu ao longo de suas diferentes etapas, incorporando metodologias participativas e adaptando seus conteúdos às demandas apresentadas pelas próprias comunidades. O objetivo do Artemísia é promover inclusão produtiva e fortalecimento do protagonismo feminino por meio de um processo formativo que integra conhecimentos científicos e saberes populares, estimulando a criação de empreendimentos sustentáveis baseados na bioeconomia, na economia circular e no uso responsável dos recursos naturais. Os beneficiários, compostos principalmente por mulheres, são capacitados no cultivo de plantas medicinais, abordando propagação, plantio, adubação, controle de pragas e doenças e beneficiamento mínimo. Também são oferecidas capacitações para a produção de sabonetes, pomadas e tinturas naturais, agregando valor às plantas medicinais cultivadas e ampliando as possibilidades de geração de trabalho e renda. Na etapa atualmente desenvolvida, a metodologia está estruturada em módulos formativos complementares, tendo sido incluída a produção de tinturas, oficinas sobre caracterização de resíduos, compostagem e reaproveitamento de materiais, incluindo a confecção de puffs a partir de garrafas PET, demonstrando, na prática, os princípios da economia circular e da valorização de resíduos. Complementando a formação, também há oficinas de Empreendedorismo sustentável, visando o desenvolvimento de competências relacionadas à organização coletiva, precificação, comercialização, identidade de marca, gestão de pequenos negócios e fortalecimento de redes locais de cooperação.
Desde sua criação, a tecnologia social vem sendo implementada em diferentes arranjos institucionais e com distintas fontes de financiamento, mantendo seus princípios metodológicos e adaptando seus conteúdos às demandas de cada iniciativa. Até o momento, mais de mil beneficiários foram capacitados e implantados mais de 20 canteiros de plantas medicinais e unidades comunitárias de produção de sabonetes em diferentes territórios do Estado do Rio de Janeiro, evidenciando seu potencial de replicação e adaptação a diferentes contextos sociais.
Metodologia
Ao longo de sua trajetória, a metodologia do Projeto Artemísia foi aperfeiçoada e adaptada para atender diferentes iniciativas e políticas públicas, mantendo seus princípios e objetivos centrais. Essa evolução resultou em duas frentes complementares. A primeira, desenvolvida em parceria com o Sebrae, concentra-se no cultivo, beneficiamento de plantas medicinais e produção de cosméticos naturais. A segunda, implementada com recursos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), ampliou a metodologia com módulos de beneficiamento de produtos in natura (produção de sabonetes, pomadas e tinturas naturais), gestão de resíduos (caracterização de resíduos, compostagem e confecção de puffs com garrafas PET) e empreendedorismo social.
A metodologia é participativa, territorial e baseada na aprendizagem pela prática, integrando conhecimentos científicos e saberes populares para promover inclusão produtiva, educação ambiental, bioeconomia e empreendedorismo social. Sua implementação é organizada em cinco fases.
Inicialmente, são realizadas ações de planejamento, definição dos territórios, articulação com lideranças comunitárias e instituições parceiras, organização da equipe e elaboração das estratégias de mobilização e acompanhamento. Em seguida, ocorre a sensibilização das comunidades por meio de palestras, rodas de conversa, oficinas e encontros participativos, visando apresentar a proposta, identificar demandas locais e selecionar os beneficiários.
A etapa formativa é estruturada em módulos complementares. O módulo de Cultivo de Plantas Medicinais aborda propagação, implantação e manejo de canteiros, adubação, controle de pragas e doenças e beneficiamento de produtos vegetais. O módulo de Beneficiamento de Produtos In Natura contempla a produção de sabonetes, pomadas e tinturas naturais. O módulo de Gestão de Resíduos desenvolve atividades de caracterização de resíduos, compostagem e reaproveitamento de materiais, utilizando a confecção de puffs com garrafas PET como ferramenta prática para demonstrar os princípios da economia circular. O módulo de Empreendedorismo Social aborda organização coletiva, formação de grupos produtivos, identidade de marca, precificação, comercialização e gestão de pequenos empreendimentos.
Durante toda a execução, o processo é acompanhado por meio de atividades práticas, estudos dirigidos e avaliações formativas, permitindo adequações às necessidades locais e fortalecendo a aplicação dos conhecimentos adquiridos. Ao final, os participantes são estimulados a implantar ou fortalecer iniciativas produtivas em seus territórios e atuar como multiplicadores da tecnologia social, ampliando sua replicabilidade.
A utilização de metodologias participativas, materiais acessíveis e tecnologias de baixo custo possibilita a adaptação da experiência a diferentes contextos, promovendo autonomia, empoderamento, inclusão produtiva e desenvolvimento territorial sustentável.
Resultados e impactos
Desde sua criação, o Projeto Artemísia vem promovendo resultados concretos na inclusão produtiva, no fortalecimento da autonomia e do protagonismo de mulheres em situação de vulnerabilidade social. A tecnologia social já capacitou mais de mil beneficiários em diferentes territórios do Estado do Rio de Janeiro, por meio de formações voltadas ao cultivo de plantas medicinais, beneficiamento de produtos in natura, educação ambiental, gestão de resíduos e empreendedorismo social.
Na etapa executada em 2026, até julho, foram capacitadas mais de 300 pessoas, distribuídas em diferentes territórios, fortalecendo o acesso à qualificação profissional e ampliando as oportunidades de geração de trabalho e renda. Nesse período, também foram implantados três canteiros comunitários de plantas medicinais, que passaram a funcionar como espaços permanentes de aprendizagem, produção e integração comunitária, possibilitando a continuidade das ações após o encerramento das capacitações.
Além da formação técnica, a metodologia promove mudanças no comportamento ambiental dos participantes ao incentivar práticas como a compostagem, a separação e valorização de resíduos e o reaproveitamento de materiais, contribuindo para a redução do descarte inadequado e para a disseminação dos princípios da economia circular. A produção de sabonetes, pomadas e tinturas naturais agrega valor às plantas medicinais cultivadas, ampliando as possibilidades de inclusão produtiva e empreendedorismo.
Outro resultado relevante é o fortalecimento das redes comunitárias. As oficinas favorecem a troca de conhecimentos entre os participantes, estimulam a organização coletiva e incentivam a criação ou o fortalecimento de iniciativas produtivas locais. Muitos beneficiários tornam-se multiplicadores dos conhecimentos adquiridos, replicando as técnicas em suas famílias e comunidades e ampliando o alcance da tecnologia social.
Os impactos observados ultrapassam a qualificação profissional. A experiência contribui para o fortalecimento da autoestima, da autonomia e do empoderamento das mulheres, amplia o acesso ao conhecimento científico de forma acessível e promove a valorização dos saberes tradicionais, integrando inclusão social, educação ambiental e desenvolvimento sustentável.
Os resultados alcançados demonstram que a metodologia é aplicável em diferentes contextos territoriais, utiliza materiais acessíveis e de baixo custo e pode ser reaplicada por outras instituições e comunidades, mantendo sua capacidade de promover transformação social, geração de oportunidades e desenvolvimento local sustentável.
Desafios e perspectivas
Ao longo da implementação do Projeto Artemísia, um dos principais desafios tem sido garantir a continuidade das ações nos territórios após o término dos ciclos de capacitação, especialmente em comunidades com limitações de infraestrutura, acesso a insumos e recursos financeiros. Outro desafio refere-se à ampliação das oportunidades de comercialização dos produtos desenvolvidos pelos participantes, de forma a consolidar iniciativas econômicas sustentáveis e ampliar a geração de trabalho e renda.
A diversidade social, cultural e territorial das comunidades atendidas também exige constantes adaptações metodológicas, respeitando as especificidades locais sem comprometer os princípios da tecnologia social. Além disso, a manutenção do engajamento dos participantes ao longo de todo o processo formativo demanda estratégias permanentes de mobilização comunitária e acompanhamento das iniciativas implantadas.
Como perspectivas futuras, pretende-se ampliar a aplicação da tecnologia social para novos municípios, fortalecendo sua capacidade de reaplicação em diferentes contextos.
Outra perspectiva é ampliar as parcerias com instituições públicas, organizações da sociedade civil e iniciativas privadas, favorecendo a criação de redes de cooperação, o acesso a mercados e o fortalecimento do empreendedorismo social.
A experiência acumulada ao longo dos diferentes ciclos de implementação demonstra que o Projeto Artemísia possui potencial para expansão e adaptação a distintas realidades, contribuindo para o fortalecimento da autonomia, do empoderamento feminino, da inclusão produtiva e do desenvolvimento territorial sustentável.
Completed projects
Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Em andamento. Período no catálogo: 2025–2026. Local: campus Niterói, RJ. Edital de origem: Edital de Chamamento 2026. ODS: 1 – Erradicação da pobreza; 3 – Saúde e bem-estar; 4 – Educação de qualidade; 8 – Trabalho decente e crescimento econômico; 10 – Redução das desigualdades; 11 – Cidades e comunidades sustentáveis; 12 – Consumo e produção responsáveis; 14 – Vida na água.
Portfolio (5 item(s))
-
-
-
-
artemisia.frutosdaterra
Open link
Instagram
-
www.youtube.com
Open link
YouTube