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Erika Vanessa Moreira Santos

Departamento de Geografia de Campos · UFF

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Skills

Informação e comunicação: criação de estratégias de divulgação de agricultura urbana e agroecologia nas redes sociais digitais

Primary field: Ciências Humanas Secondary field: Ciências Agrárias Secondary field: Ciências da Saúde Secondary field: Linguística, Letras e Artes Tecnologias de Processo Tecnologias de Produto Tecnologias Digitais #Comunidades urbanas periféricas #Educação e Formação #Inclusão Socioprodutiva #Juventude #Meio Ambiente e Sustentabilidade #Mulheres #ODS 1 #ODS 10 #ODS 11 #ODS 12 #ODS 19 #ODS 2 #População rural #Popularização da ciência e tecnologia #Povos tradicionais #Tecnologia Social

Tecnologia Social: Comunicação digital, divulgação de hortas urbanas e confecção de materiais educativos sobre Agroecologia

Descrição

A Tecnologia Social desenvolvida consiste em um ciclo de comunicação e educação que transforma demandas de agricultores urbanos e educadores em materiais gratuitos e acessíveis, distribuídos por redes sociais digitais e aplicados em escolas, feiras e eventos, com o retorno do público realimentando a produção seguinte.

O que se reaplica não é o perfil nem os livros: é o ciclo que os produz. Ele se organiza em quatro etapas, segundo a técnica do Duplo Diamante:

1. Descoberta — levantamento das demandas por pesquisa bibliográfica, observação de campo, visitas às hortas e diálogo direto com agricultores e educadores, identificando onde a falta de informação trava a atividade.
2. Definição — organização e priorização das demandas levantadas, definindo os conteúdos e os públicos prioritários de cada ciclo.
3. Desenvolvimento — produção dos materiais: vídeos e postagens gravados nas próprias hortas, livros infantis, cartilhas, jogos, catálogos digitais e marcadores de página com QR Code que levam às versões em PDF.
4. Implementação — aplicação dos materiais no contexto em que a demanda nasceu, em escolas, feiras e eventos, com observação da recepção e incorporação das sugestões ao aperfeiçoamento.

Três características sustentam a acessibilidade do ciclo: os materiais são gratuitos e permanecem em PDF, alcançáveis por QR Code; a distribuição usa redes que o público já opera; e a produção não exige equipamento além de celular e computador comuns.

O problema

Em Campos dos Goytacazes (RJ), as hortas urbanas e os agricultores familiares tinham pouca visibilidade nas redes sociais. A produção existia e os pontos de venda existiam, mas o consumidor da própria cidade não sabia onde encontrá-los — e o agricultor não tinha canal para dizer o que produzia e onde se localizava. O problema foi identificado por meio de pesquisas e visitas de campo às hortas urbanas do município, que evidenciaram a falta de informações e divulgação sobre esses espaços produtivos.

À invisibilidade somava-se um problema de outra ordem. O que circula sobre alimentação, cultivo e agroecologia chega ao público misturado a informação inadequada, e o agricultor urbano raramente dispõe de meio próprio para responder. Faltava comunicação horizontal: um canal em que quem produz fale por si.

O mesmo vazio aparecia na escola. Educadores procuravam material gratuito e acessível sobre agroecologia para trabalhar com educandos e não encontravam — o que existe é acadêmico, pago ou inadequado à faixa etária.

Construção da solução

A primeira resposta foi identificar as hortas urbanas e a partir disso criar um perfil na rede social Instagram para divulgar a localização e a produção realizada pelos agricultores. Em 2022 nasceu o @agriculturaurbanacamposrj, criado para fazer uma coisa só — mostrar as hortas urbanas campistas e os agricultores que trabalhavam nelas. A escolha da rede não foi técnica, foi de acesso: era onde o consumidor local já estava, e onde publicar não custa nada.

O perfil cresceu e outra lacuna foi encontrada. Com mais acessos e mais participantes, chegaram demandas diferentes. Educadores solicitavam materiais educativos sobre agroecologia que pudessem ser usado com o público infantojuvenil; agricultores pediam apoio para vender direto; escolas pediam atividade presencial. Cada pedido virou um produto, e o conjunto dos produtos foi virando a tecnologia social.

Foi para dar ordem a esse crescimento que a equipe adotou, em 2024 e 2025, a técnica do Duplo Diamante, que alterna momentos de ampliar o entendimento do problema e momentos de refinar a solução. O método não substituiu o diálogo com a sociedade— organizou-o, garantindo que cada produto passasse por identificação da demanda, priorização, produção e teste em campo.

O alcance espacial acompanhou o do perfil. Até 2023 a atuação estava circunscrita a Campos dos Goytacazes; a partir de 2024, com a ampliação do alcance do perfil, passou a incluir outros municípios fluminenses, entre eles Cordeiro e Cantagalo.

Participação e apropriação

A cadeia de decisão é rastreável produto a produto. A demanda de educadores por material acessível sobre agroecologia gerou até o presente momento seis livros infantis, registrados na Câmara Brasileira do Livro e distribuídos em PDF gratuito. As solicitações que as próprias escolas enviaram pela página do projeto geraram a ação Agroecologia na Escola, realizada em cinco escolas públicas em 2025, em Campos dos Goytacazes, Cordeiro e Cantagalo. A necessidade de maior visibilidade e apoio à comercialização levou à criação de catálogos digitais e chaves PIX. Não é a equipe universitária que define a pauta: é o pedido que chega. Agricultores participam da construção e da divulgação dos conteúdos, e as escolas adaptam os materiais antes de aplicá-los. A apropriação se mede pelo que segue funcionando sem a equipe. Educadores usam os materiais sem intermediação, e o QR Code impresso mantém o acesso aberto a quem nunca teve contato com o projeto e agricultores seguem com seus catálogos e chave PIX.

Resultados e transformações

Os produtos da experiência são o perfil @agriculturaurbanacamposrj, consolidado como canal permanente de divulgação; seis livros infantis gratuitos registrados na CBL; cartilhas, jogos, vídeos, catálogos digitais e marcadores com QR Code; oficinas; e a ação Agroecologia na Escola.

O que mudou para os agricultores foi a visibilidade. A divulgação das feiras, das hortas urbanas e das Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSA) abriu canais diretos com consumidores que antes não sabiam onde comprar.

Na escola, os materiais entraram na rotina pedagógica. As atividades ampliaram o interesse dos estudantes por alimentação, natureza, agricultura e saberes populares, e favoreceram leitura, escrita, atenção e participação — inclusive entre estudantes do Atendimento Educacional Especializado (AEE), o que indica potencial inclusivo. Para os educadores, os materiais supriram a carência de recursos gratuitos sobre agroecologia e sustentaram práticas contextualizadas e interdisciplinares.

A experiência vem sendo sistematizada e apresentada em eventos acadêmicos e de extensão, com reconhecimento no Prêmio UFF de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI/CNPq) em 2023, 2024 e 2025, no CONFICT (2024 e 2025) e na Mostra de Extensão UENF/UFF/IFF/UFRRJ — reconhecimento externo, que não se confunde com o impacto social do trabalho.

Sustentabilidade e reaplicação

A sustentação se dá em quatro dimensões, com fragilidades desiguais. A financeira é a mais frágil: O projeto é mantido por bolsas PIBITI e recursos próprios. — recursos que não cobrem a impressão dos livros, cartilhas e jogos, os materiais de consumo das oficinas nem o transporte da equipe até escolas rurais e municípios distantes. A institucional se apoia na articulação entre UFF, escolas, agricultores e parceiros. A tecnológica é a mais sólida: os conteúdos permanecem gratuitos no Instagram, em PDF e por QR Code, acessíveis sem a equipe. A humana depende da formação contínua de bolsistas, extensionistas e voluntários.

A impressão é o gargalo prático: onde o acesso à internet é restrito, é o exemplar em papel que chega.

Para reaplicar em outro território, o roteiro é mapear agricultores e hortas, identificar demandas locais, abrir um canal de comunicação, produzir conteúdo a partir das demandas, capacitar agricultores no uso das ferramentas, desenvolver materiais educativos, firmar parceria com escolas, testar os produtos em campo, avaliar e adaptar personagens e conteúdos ao contexto local.

Completed projects

Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Em andamento. Período no catálogo: 2026. Local: campus Campos dos Goytacazes, RJ. Edital de origem: Edital de Chamamento 2026. ODS: 2 – Fome zero e agricultura sustentável; 1 – Erradicação da pobreza; 10 – Redução das desigualdades; 11 – Cidades e comunidades sustentáveis; 12 – Consumo e produção responsáveis; 19 – Arte, Cultura e Comunicação.

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