Impacto da fotobiomodulação no fluxo salivar e qualidade de vida em idoso com hipossalivação
Tecnologia Social: Protocolo Clínico de Fotobiomodulação para Manejo da Hipossalivação em Idosos
Descrição
A Tecnologia Social desenvolvida consiste em um modelo de cuidado em saúde bucal para a população idosa que organiza a aplicação padronizada da fotobiomodulação com laser de baixa intensidade junto da avaliação clínica, do acompanhamento do usuário e da formação dos profissionais que o executam.
O ciclo se organiza em cinco etapas:
1. Acolhimento e consentimento — a equipe aborda o idoso na sala de espera, explica objetivos, procedimentos e riscos e colhe o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) antes de qualquer procedimento.
2. Avaliação inicial — 40 a 50 minutos, com sialometria (saliva não estimulada e estimulada, coletadas entre 8h e 11h para evitar variação circadiana), análise sialoquímica (volume, pH, capacidade de tamponamento, cálcio e proteínas) e os questionários validados Summated Xerostomia Inventory (SXI) e Oral Health Impact Profile (OHIP-14).
3. Aplicação — sessões semanais de laser de diodo infravermelho (808 nm) em modo contínuo, 4 J por ponto, em contato direto, em 20 pontos: 16 extraorais (6 em cada parótida e 2 sobre a projeção de cada submandibular) e 4 intraorais (2 em cada sublingual), por 4 a 10 semanas. Após 4 semanas de tratamento, realiza-se a reavaliação do paciente por meio de sialometria e aplicação dos questionários clínicos. Em caso de resposta terapêutica insuficiente ou ausência de ganho no fluxo salivar, o tratamento é prorrogado com sessões e acompanhamentos semanais, respeitando o teto de 10 aplicações.
4. Reavaliação — exames e questionários são repetidos ao fim do ciclo, para comparação intrassujeito.
5. Análise — comparação dos indicadores antes e depois, com teste de normalidade e teste pareado, considerando magnitude, significância e relevância clínica.
O problema
A redução do fluxo salivar (hipossalivação) e a sensação de boca seca (xerostomia) atingem sobretudo a população idosa em situação de polifarmácia — o uso contínuo de anti-hipertensivos, antidepressivos e outros medicamentos de efeito xerogênico. Sem saliva suficiente, mastigar, engolir e falar tornam-se difíceis.
A saliva artificial, alternativa mais comum, é paliativa, tem custo elevado para quem depende da rede pública e baixa adesão no uso cotidiano. Na Clínica Integrada Geriátrica da UFF, a queixa de boca seca aparece com regularidade entre idosos em uso contínuo de medicamentos, sem alternativa terapêutica estruturada a oferecer. Sim. Na Clínica de Odontogeriatria da UFF, é uma realidade constante o acolhimento de idosos que relatam xerostomia e hipossalivação. Muitos pacientes vivenciam os impactos negativos da falta de saliva na fala, na mastigação, na deglutição e no bem-estar diário, quadros frequentemente associados ao processo de envelhecimento e à polifarmácia.
É a essa lacuna — entre uma queixa frequente na população idosa da rede pública e a ausência de um cuidado padronizado para ela — que a tecnologia responde.
Construção da solução
A tecnologia nasceu na rotina da Clínica Integrada Geriátrica da UFF. A queixa de boca seca chegava repetidamente no atendimento a idosos em uso contínuo de medicamentos, e a única resposta disponível — orientar o uso de saliva artificial — esbarrava no custo e no abandono do produto poucas semanas depois.
A fotobiomodulação com laser de baixa intensidade já era usada na odontologia para outras finalidades e o equipamento já existia na Faculdade de Odontologia.
A partir daí, a equipe construiu não um tratamento, mas um modelo de atendimento. Fixou os parâmetros de aplicação, de modo que o resultado não dependesse da experiência individual de quem opera o aparelho. Acoplou ao protocolo uma avaliação clínica e subjetiva antes e depois, para que o efeito pudesse ser verificado e não apenas afirmado. Organizou o acompanhamento ao longo das semanas, com reavaliação periódica. E vinculou a operação à formação de estudantes, pela Liga Acadêmica de Odontogeriatria (LAO-UFF), para que o cuidado não dependesse de um único profissional.
O modelo está sendo avaliado em um estudo clínico prospectivo com 30 idosos atendidos na própria clínica, voltado a verificar viabilidade, segurança e resposta inicial ao protocolo. O cálculo amostral foi realizado para um estudo do tipo antes e depois, no qual cada idoso atua como seu próprio controle para comparação por meio dos testes estatísticos t pareado ou de Wilcoxon. A estimativa indicou a necessidade de no mínimo vinte e quatro participantes, aos quais se somou uma margem de segurança de vinte a vinte e cinco por cento para prevenir perdas de acompanhamento, definindo a amostra final em trinta idosos para assegurar o poder estatístico na detecção de alterações no fluxo salivar.
Participação e apropriação
A decisão que cabe ao usuário é a mais concreta: quando o ciclo termina. O intervalo de 4 a 10 semanas não é fixado de antemão — é o relato do idoso sobre a boca seca, somado à reavaliação clínica periódica, que orienta a continuidade ou a interrupção das sessões. A percepção do participante, colhida pelo SXI e pelo OHIP-14, entra como critério de acompanhamento, e não apenas como dado de pesquisa. O TCLE assegura consentimento informado e o direito de interromper a qualquer momento; o desenho do protocolo, contudo, permanece com a equipe técnica.
A apropriação se dá em dois níveis. Entre estudantes e profissionais é plena: parâmetros, critérios de aplicação e rotina de acompanhamento são transmitidos pela LAO-UFF e permitem que o atendimento siga sem consultoria externa. Entre os usuários, a apropriação é do conhecimento sobre a própria condição — o que causa a boca seca, o que pode aliviá-la, que cuidados cabem em casa —, e não da operação do equipamento, que exige precisão anatômica e treinamento em biossegurança.
Resultados e transformações
O modelo está em avaliação, e o que já se pode afirmar vem do estudo piloto: entre os idosos acompanhados até agora não foram registrados eventos adversos significativos, o que indica boa tolerabilidade do protocolo (808 nm, 4 J por ponto) nessa faixa etária.
O aumento de fluxo salivar de até 75% associado à fotobiomodulação vem da literatura que embasou o protocolo (Varellis et al. 2024). Os dados próprios do projeto ainda estão em coleta e análise, e é a comparação intrassujeito — fluxo salivar, pH, capacidade de tamponamento, SXI e OHIP-14 antes e depois — que dirá o que o modelo produz nesta população.
A transformação buscada é funcional e social ao mesmo tempo: voltar a mastigar, engolir e falar sem desconforto tem efeito direto sobre a alimentação, a comunicação e a disposição para conviver, e reduz a exposição a cáries severas e infecções oportunistas. Por isso os instrumentos de qualidade de vida integram a avaliação em pé de igualdade com os indicadores clínicos.
A experiência vem sendo sistematizada em duas frentes. O protocolo está documentado em parâmetros, roteiro de avaliação e rotina de acompanhamento, o que permite que outra equipe o reproduza. E a operação é feita por estudantes de graduação vinculados à LAO-UFF, o que transforma cada ciclo de atendimento em formação de profissionais habilitados a levar o cuidado a outros serviços.
Sustentabilidade e reaplicação
A continuidade do modelo se apoia na infraestrutura já instalada na Faculdade de Odontologia e na Clínica Integrada Geriátrica da UFF e no fluxo constante de estudantes que o operam como parte da formação. Não há, porém, financiamento próprio: o funcionamento depende de recursos institucionais, da manutenção do equipamento, da reposição de insumos e da presença de profissionais capacitados — e essa é a dimensão mais frágil da experiência.
A reaplicação em unidades da rede pública de Niterói e região depende de quatro condições: equipamento de fotobiomodulação compatível, profissional habilitado, treinamento no protocolo e uma rotina de avaliação antes e depois que permita acompanhar o resultado. Falta ainda a etapa de transferência propriamente dita — sistematizar o protocolo e os materiais de capacitação em formato utilizável por outra instituição.
Duas frentes estão em aberto: integrar a laserterapia ao portfólio permanente da Clínica Integrada Geriátrica e adaptar o modelo ao atendimento domiciliar, onde estão os idosos acamados ou com mobilidade reduzida que hoje não alcançam a clínica.
Projetos executados
Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Em andamento. Período no catálogo: 2026. Local: campus Niterói, RJ. Edital de origem: Edital de Chamamento 2026. ODS: 3 – Saúde e bem-estar; 9 – Indústria, inovação e infraestrutura; 12 – Consumo e produção responsáveis; 16 – Paz, justiça e instituições eficazes; 17 – Parcerias e meios de implementação.
Portfólio (4 item(ns))
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