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Marcia Marques de Queiroz Carvalho

Departamento de Design Tecnologia (TDT) / Escola de Engenharia · UFF

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Skills

Mãos que criam - costura para decoração

Primary field: Ciências Sociais Aplicadas #Geração de renda #Tecnologia Social

Desenvolvida por uma professora e alunas do curso de Desenho Industrial, a experiência consiste num projeto de extensão que procura promover, através de um curso online e gratuito, a qualificação profissional em corte e costura para pessoas de qualquer nível de escolaridade. Tem como objetivo principal gerar qualificação e ampliar as oportunidades de inserção no mercado de trabalho e gerar renda através da confecção de peças decorativas. Sob outra perspectiva, a prática da costura pode ser mantida apenas como um hobby para desenvolver habilidades psicomotoras e fazer bem à saúde mental, visto que é uma atividade capaz de amenizar sentimentos de tristeza, ansiedade, angústia e incapacidade. No campo acadêmico, proporciona a aproximação da universidade e seu entorno, promove emancipação econômica e desperta o interesse e desejo pela educação, criando conexão entre indivíduos de diferentes situações socioeconômicas e culturais, contribuindo para a troca de experiências e conhecimentos.

Completed projects

Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Encerrada. Período no catálogo: 2022–2024.

Mãos que criam laços - Transformação social de espaços internos

Primary field: Ciências Sociais Aplicadas Secondary field: Ciências da Saúde Secondary field: Ciências Humanas Secondary field: Engenharias Tecnologias de Produto #Acesso a direitos e cidadania #Comunidades urbanas periféricas #Juventude #Mulheres #ODS 1 #ODS 10 #ODS 11 #ODS 12 #ODS 13 #ODS 3 #ODS 4 #Saúde e Bem-estar #Tecnologia Social

Tecnologia Social: Do Diagnóstico à Prática, Método Participativo de Transformação da Moradia pelo Morador

Descrição

A Tecnologia Social desenvolvida consiste em um método participativo voltado ao empoderamento do morador para o planejamento e a transformação do ambiente interno de sua habitação. Fundamenta-se no mapeamento colaborativo de necessidades, na priorização conjunta de intervenções, no reaproveitamento de materiais e na valorização do conhecimento local, sendo totalmente sistematizada em apostilas autoexplicativas e em um guia didático que viabiliza sua reaplicação autônoma.
Ressalta-se que essa tecnologia social não se reduz às oficinas nem aos objetos produzidos. Enquanto as oficinas constituem o momento prático de aplicação e os objetos representam o resultado físico, a tecnologia em si abrange todo o processo metodológico que conduz o morador do diagnóstico à execução das mudanças, somado ao acervo didático que permite a replicação do processo por outras equipes.
O método opera em quatro etapas estruturadas a partir do modelo do Duplo Diamante:
Descoberta e mapeamento colaborativo das necessidades e desafios comunitários por meio de questionários semi estruturados, observação sistemática, análise documental e revisão bibliográfica.
Definição e seleção dos encaminhamentos e prioridades com base nos dados empíricos levantados junto aos moradores.
Desenvolvimento e construção e exploração participativa de soluções, considerando os materiais disponíveis e as especificidades locais.
Entrega e implementação prática em oficinas via projetos de extensão, seguida da coleta de retornos e refinamento contínuo das soluções.
Cada temática é sistematizada em uma apostila instrucional e ilustrada, validada nas oficinas e disponibilizada para uso amplo em redes sociais e artigos.

O problema

A precariedade do ambiente interno da habitação, caracterizada por iluminação inadequada, desorganização e uso de mobiliário improvisado, afeta diretamente a saúde mental, a autoestima e a qualidade de vida de famílias vulneráveis. Embora as políticas habitacionais tradicionais fiquem concentradas na estrutura física (teto e paredes), o espaço interno é frequentemente negligenciado. Falta ao morador não apenas recursos financeiros, mas também repertório técnico para planejar o próprio lar, visto costumeiramente como um serviço especializado e inacessível.
Essa realidade reflete os desafios enfrentados no projeto desenvolvido com a Moradia Estudantil da Universidade Federal Fluminense (UFF) e casas de participantes, em Niterói. A iniciativa atua em cenários onde a melhoria do ambiente doméstico depende prioritariamente de recursos acessíveis e do reaproveitamento de materiais. O método busca transformar esses espaços por meio de soluções simples e do compartilhamento de conhecimentos, demonstrando que a organização e o conforto habitacional são dimensões fundamentais do direito à moradia digna.

Construção da solução

O projeto Mãos que criam laços teve início em 2021, motivado por demandas da comunidade, articulando uma disciplina de mestrado e projetos de extensão universitária.
Em vez de entregar um projeto de interiores pronto, optou-se por construir, em parceria com os moradores, um percurso metodológico replicável. O objetivo central foi posicionar o morador como agente ativo de transformação, capacitando-o a planejar seu próprio lar a partir do conhecimento local e da reutilização de materiais, fornecendo-lhe ferramentas para a continuidade autônoma das melhorias.
A metodologia seguiu o modelo do Duplo Diamante, adotado por estruturar etapas focadas na escuta e na imersão antes de qualquer tomada de decisão projetual. O mapeamento de necessidades e desafios foi realizado colaborativamente com a comunidade por meio de questionários semi estruturados, observação sistemática, análise documental e revisão bibliográfica. Desse modo, as ações prioritárias emergiram diretamente dos dados empíricos coletados, e não de diagnósticos impostos externamente.
As soluções foram exploradas participativamente ao invés de propostas pré-concebidas, as alternativas foram desenvolvidas considerando os recursos disponíveis e as demandas específicas de cada integrante. Durante as oficinas práticas, promovidas em parceria com projetos de extensão, os participantes implementaram as propostas, fornecendo retornos que fundamentaram o refinamento contínuo das soluções.
Esse ciclo contínuo de aplicação e aprimoramento consolidou a estrutura atual do método e do material didático. As contribuições de cada oficina foram incorporadas para corrigir falhas e aperfeiçoar os conteúdos das versões subsequentes das apostilas.

Participação e apropriação

As demandas do projeto não são impostas pela equipe, o mapeamento das necessidades é feito diretamente com os moradores, definindo a fila de prioridades. Na fase de desenvolvimento, as soluções são construídas com os participantes, adaptando-se aos recursos disponíveis e aos desejos dos participantes. Ao fim de cada oficina, o feedback do público aprimora o método e o material didático, quem usa a tecnologia é quem a realimenta.
Um exemplo prático ocorreu na Moradia Estudantil. O foco inicial era a organização interna dos quartos, mas a limitação de não poder perfurar as paredes para instalar prateleiras exigiu redirecionar o planejamento. Durante o processo, identificou-se a oportunidade de integrar os espaços de convivência, resultando na criação de áreas de conforto equipadas com móveis de paletes, mesas e estantes de livros.

Resultados e transformações

Foram realizadas oficinas de confecção de luminárias em origami, organização de pequenos espaços com paletes, pintura com corante xadrez e reaproveitamento de madeiras descartadas com a participação de 25 participantes inscritos.
A transformação mais concreta aparece depois da oficina, os participantes executaram por conta própria as intervenções aprendidas e enviaram à equipe os registros fotográficos do resultado. Foi assim na oficina de luminárias em origami e também nas demais oficinas realizadas. A técnica saiu da sala, foi aplicada de forma autônoma e voltou documentada. Ao todo, 5 pessoas enviaram esses registros.
Pequenas mudanças no ambiente doméstico, feitas com recursos acessíveis e materiais reaproveitados, mostraram-se capazes de produzir melhorias de conforto e bem-estar percebidas pelos próprios moradores, é a leitura que a equipe faz do que observou nas oficinas e nos registros recebidos. A avaliação sistemática de efeitos sobre qualidade de vida, autoestima e saúde mental ainda não foi feita e permanece como perspectiva de trabalho.
A experiência vem sendo sistematizada em apostilas, em um guia didático e em artigos científicos, e repercutiu na formação dos estudantes de graduação vinculados aos projetos de pesquisa e extensão, com desdobramentos em trabalhos de mestrado.

Sustentabilidade e reaplicação

O principal obstáculo enfrentado pelo projeto reside nos recursos restritos para adquirir os materiais para as oficinas. Em contrapartida, a viabilidade metodológica fundamenta-se no baixo custo operacional, apoiando-se no reaproveitamento de materiais e na valorização do conhecimento local, sem exigir insumos financeiros elevados. Ademais, a elaboração de material didático estruturado possibilita a condução das atividades de forma autônoma, dispensando formação altamente especializada.
A potencialidade de reaplicação configura-se como um eixo central do método, de modo que todas as etapas são minuciosamente documentadas para permitir a reprodução por outros grupos. Para tanto, as apostilas são disponibilizadas em formato impresso durante as oficinas, bem como divulgadas na plataforma Google Sala de Aula, em artigos científicos e em redes sociais.
A metodologia articula-se em quatro fases contínuas e interdependentes, diagnóstico, co-criação, execução prática e avaliação, mantendo uma estrutura analítica fixa, enquanto os temas específicos das oficinas são adaptados conforme as demandas de cada contexto local.

Completed projects

Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Em andamento. Período no catálogo: 2026. Local: campus Niterói, RJ. Edital de origem: Edital de Chamamento 2026. ODS: 4 – Educação de qualidade; 1 – Erradicação da pobreza; 3 – Saúde e bem-estar; 10 – Redução das desigualdades; 11 – Cidades e comunidades sustentáveis; 12 – Consumo e produção responsáveis; 13 – Ação contra a mudança global do clima.

Portfolio (7 item(s))

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