Núcleo de Teleodontologia da UFF Nova Friburgo
Tecnologia Social: Modelo de núcleo acadêmico de teleodontologia adaptado a campus do interior
Descrição
A Tecnologia Social desenvolvida consiste em um modelo de núcleo acadêmico de teleodontologia adaptado a campus universitário do interior, que articula cinco modalidades de teleatendimento operadas por estudantes de graduação e pós-graduação sob supervisão docente, por canais digitais de uso corrente da população, com protocolos ajustados à LGPD e às resoluções do CFO.
As cinco modalidades operam de forma articulada:
1. Teleconsultoria — o profissional de saúde bucal envia a dúvida clínica por formulário no site institucional do núcleo e recebe resposta fundamentada na literatura científica atualizada. É a demanda recebida que define a pauta de cada resposta.
2. Teleducação — cursos de curta duração no ambiente virtual da SEEt/UFF, com temas definidos a partir das necessidades identificadas junto às equipes.
3. Telediagnóstico — apoio de especialista na interpretação de exames complementares, para auxiliar o diagnóstico de afecções bucais.
4. Teleconsulta — atendimento remoto agendado, com vistas à conduta terapêutica.
5. Telemonitoramento — acompanhamento dos pacientes da clínica de ensino por canais digitais, o que fortalece o vínculo com a equipe e abrevia o retorno em caso de intercorrência.
O que se reaplica não é cada modalidade isolada, mas o arranjo entre elas: infraestrutura universitária já instalada, estudantes como operadores sob supervisão, canais que o público já domina e protocolos de proteção de dados. Atualmente, Já estão em funcionamento o telemonitoramento dos pacientes da clínica odontológica de ensino e a teleducação, que começou com o curso de atualização sobre fundamentos de saúde digital para o SUS, oferecido aos cirurgiões-dentistas vinculados ao serviço público.
O problema
O acesso a atendimento odontológico especializado na região serrana do Rio de Janeiro é limitado: Especificamente em Nova Friburgo, que é um dos polos da região serrana, ainda não há um serviço especializado de atenção secundária em saúde bucal implantado, nos moldes dos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO) do Programa Brasil Sorridente, e a clínica absorve informalmente essa demanda. No intervalo entre a identificação de uma necessidade clínica e o atendimento por especialista, quadros simples se agravam e passam a exigir procedimentos mais complexos.
Do lado das equipes de saúde bucal do SUS, a dúvida clínica cotidiana raramente encontra canal de resposta qualificada: o profissional decide com a formação que tem, sem apoio especializado no momento em que a decisão precisa ser tomada. A educação permanente, quando disponível, exige deslocamento e afastamento do posto de trabalho.
Para os pacientes já em tratamento na clínica de ensino, o problema é a descontinuidade. Entre uma consulta e outra não há contato: intercorrências não chegam à equipe e o retorno depende da iniciativa e das condições de deslocamento do próprio paciente.
Construção da solução
A pandemia da Covid-19 tornou urgente a discussão sobre a prática odontológica mediada por tecnologias de informação e comunicação, e o Conselho Federal de Odontologia (CFO) normatizou a atividade: primeiro pela Resolução nº 226/2020, depois pela Resolução nº 278/2025, que incorporou teleconsulta, teletriagem, teleorientação, telediagnóstico, telemonitoramento e teleinterconsulta, sob as exigências de segurança da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A regulamentação abriu a possibilidade, mas não resolveu como operá-la em um campus do interior.
O Núcleo de Teleodontologia da UFF Nova Friburgo foi criado em 2025, no Instituto de Saúde de Nova Friburgo (RJ), a partir de uma constatação da própria clínica de ensino: a infraestrutura de que o atendimento remoto precisava já existia na universidade — plataforma digital institucional, prontuário eletrônico e o ambiente virtual de aprendizagem da Secretaria de Educação a Distância (SEEt/UFF). O que faltava era organizá-la como serviço.
A montagem seguiu a demanda, e não um desenho pronto. O telemonitoramento nasceu do acompanhamento dos pacientes da clínica de ensino; a teleconsultoria, das dúvidas que os profissionais de saúde bucal da região já dirigiam aos docentes; a teleducação, das lacunas de formação que essas mesmas dúvidas revelavam. O núcleo foi reconhecido como projeto oficial de extensão da UFF, o que lhe deu abrigo institucional e vínculo com a agenda nacional de saúde digital.
Participação e apropriação
A pauta do núcleo não é definida de antemão pela equipe acadêmica: ela se forma a partir do que chega. Na teleconsultoria, é a dúvida enviada pelo profissional de saúde bucal que determina o tema de cada resposta. Na teleducação, os cursos são planejados conforme a necessidade identificada junto às equipes. No telemonitoramento, as informações de satisfação coletadas com os pacientes reorientam a conduta clínica adotada.
A apropriação está na escolha dos canais. O telemonitoramento acontece por WhatsApp, aplicativo que os pacientes já usam no cotidiano; a teleducação, por redes sociais e pelo ambiente virtual institucional; a teleconsultoria, por um formulário no site do núcleo. Nenhum deles exige equipamento adicional nem aprendizado novo por parte de quem procura o serviço — a barreira de entrada é a que o usuário já venceu.
Resultados e transformações
O núcleo desenvolveu o curso Fundamentos de Saúde Digital para o SUS, primeira ação estruturada de teleducação, concluído por 58 cirurgiões-dentistas. O telemonitoramento entrou em operação e já acompanhou 295, e a teleconsultoria passou a responder às dúvidas das equipes de saúde bucal. As teleconsultorias já atenderam profissionais de Todos os municípios da região serrana do estado do Ro de Janeiro.
Na avaliação de satisfação realizada em 2025 com 132, 93% dos usuários acompanhados pelo telemonitoramento declararam-se satisfeitos com o serviço e 2% manifestaram discordância. O resultado já orienta ajustes na condução dos casos acompanhados.
A transformação mais visível está na continuidade do cuidado: pacientes que antes ficavam sem contato entre consultas passaram a ter um canal aberto com a equipe, e intercorrências que só apareceriam no retorno presencial passaram a ser identificadas antes do agravamento.
O reconhecimento como projeto oficial de extensão da UFF consolidou o núcleo institucionalmente. A experiência vem sendo sistematizada em trabalhos acadêmicos, sobretudo na área de telemonitoramento, e a saúde digital passou a integrar a formação prática dos estudantes de Odontologia do campus.
Sustentabilidade e reaplicação
O principal desafio enfrentado nesta experiência é A infraestrutura de informática, considerando o prontuário eletrônico interoperável com outros sistemas e o suporte de recursos humanos de tecnologia de informação (design gráfico, programador). A ele somam-se a manutenção da infraestrutura tecnológica, que depende de apoio institucional permanente, e a conformidade contínua com a LGPD e as normas do CFO.
A sustentação do núcleo vem da infraestrutura que a universidade já mantém e do fluxo contínuo de estudantes que o operam como parte da formação. A autonomia financeira própria, no entanto, ainda não está resolvida: o funcionamento depende do orçamento institucional, e essa é a dimensão mais frágil da experiência.
O modelo é comprovadamente reaplicável — núcleos semelhantes existem na USP, na UFMG e na UERJ. O que esta adaptação acrescenta é o recorte de campus do interior: um núcleo que funciona sem centro de especialidades de referência ao lado, apoiado na clínica de ensino como base de pacientes e em canais de baixa exigência técnica. A metodologia está descrita no projeto de extensão e segue os protocolos de teleatendimento da LGPD e da telessaúde no SUS.
Depoimentos
A criação do Núcleo partiu da constatação de que o INSF poderia avançar na qualidade do atendimento odontológico na medida em que investisse na adoção de novas tecnologias assistivas. Com o avanço da teleodontolgia após a pandemia da Covid-19, percebi que nossos alunos precisavam conhecer na prática como ela funcionava e o município de Nova Friburgo precisava de uma estratégia que sistematizasse os encaminhamentos no SUS local. Daí, surgiu a ideia do Núcleo como projeto de extensão com suas ferramentas digitais.
Prof. Marcos Alex, coordenador do Núcleo
Projetos executados
Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Em andamento. Período no catálogo: 2026. Local: campus Nova Friburgo, RJ. Edital de origem: Edital de Chamamento 2026. ODS: 3 – Saúde e bem-estar; 4 – Educação de qualidade; 9 – Indústria, inovação e infraestrutura; 17 – Parcerias e meios de implementação.
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