Safari de Borboletas
Tecnologia Social: Metodologia de observação guiada de borboletas como turismo de baixo impacto em área protegida
Descrição
A Tecnologia Social desenvolvida consiste em uma atividade de educação ambiental e turismo de baixo impacto baseada na observação, na identificação e no registro de Lepidoptera em ambiente natural, conduzida por equipe local capacitada e articulada ao patrimônio ambiental e cultural do território.
O que se reaplica é a metodologia, em cinco etapas:
1. Mobilização — identificação da demanda comunitária, articulação com a administração da unidade de conservação e localização dos guias e especialistas que já conhecem a fauna do lugar.
2. Preparação — definição do percurso, mapeamento dos hotspots de observação, leitura das condições ambientais do dia e capacitação da equipe.
3. Realização — o grupo se reúne no Parque Rural de Niterói, que oferece banheiro e água, para uma apresentação sobre o PESET, o Caminho de Darwin e a observação de borboletas: como se aproximar, como registrar. Segue a pé até a entrada do parque, sobe até o Núcleo Darwin — pausa, água e uma fala sobre a Reserva e sua biodiversidade —, avança ao segundo hotspot e retorna ao Núcleo para dispersão, podendo permanecer na Reserva ou voltar com um dos guias.
4. Sistematização — registro das espécies avistadas e dos participantes, avaliação da atividade e produção de conteúdo.
5. Transferência — formação de novos guias, material didático, protocolo do safári e articulação com escolas e agências.
Desde o início dos trabalhos, teve-se uma reunião com todos os envolvidos: pesquisadores, guarda parques, gestão do parque, representantes da comunidade.
Esse reunião, feita dentro mesmo do PESET, nas dependências do Núcleo Darwin, foi a base para delinear como seria feita as ações, focadas em manter-se dentro da trilha de Darwin (também conhecido como Vai-e-Vem), o que limita o acesso pleno à fauna dessa reserva de Mata Atlântica, porém, possibilita controlar o potencial impacto (uma vez que esse espaço já é utilizado pela população local, assim como os grupos de ciclismo de montanha e passeio a cavalo da região).
Assim evita-se promover novos atores entrarem na mata, controlando o impacto, assim como permitir que - a medida em que a trilha permanece aberta o ano todo, e é de pleno conhecimento da comunidade, facilita e amplia o seu potencial de replicação por outros atores.
Foi uma solução de compromisso, uma vez que poderia ter-se acesso à uma maior diversidade de borboletas e mariposas, se a observação fosse feita mais dentro da mata, mas isso poderia representar desafios logísticos, assim como dificultar o acompanhamento de eventuais impactos das ações no meio ambiente.
O problema
O Parque Estadual da Serra da Tiririca (PESET), o Polo Turístico Caminho de Darwin e o Parque Rural de Niterói ficam a poucos quilômetros de centenas de milhares de pessoas — e a maioria delas nunca entrou. O patrimônio ambiental está ali, protegido por lei, mas fora do repertório de quem mora ao lado.
Essa distância tem consequências. Um parque que a população do entorno não frequenta é um parque que ela não defende: a proteção passa a depender de fiscalização e norma, e não de vínculo. E a área protegida deixa de gerar retorno para quem vive à sua volta — o comércio local, os guias, os moradores que poderiam trabalhar com ela.
O uso que se propõe também não pode ser qualquer um. Turismo de massa em unidade de conservação resolve a visibilidade e cria um problema maior, de pisoteio, ruído e pressão sobre a fauna. Faltava uma forma de aproximar a população do parque que fosse ao mesmo tempo atraente, de baixo impacto ambiental e capaz de dar trabalho e renda a quem já conhece o território.
Construção da solução
A resposta partiu de quem vive no entorno. A partir de uma aproximação da Universidade com a comunidade do entorno do PESET - Parque Estadual da Serra da Tirica, não só as pessoas se tornaram conhecidas, mas se estreitaram os laços entre a Universidade e a gestão do Parque.
Nesse processo, conheci alguns dos grupos de pessoas que atuavam no parque, em especial o Sr. Richard Raby, cuja dedicação às borboletas contagia a todos, incluindo o guarda parque Marcelo Costa de Faria, graduando de Biologia, que assume esse tema para ser seu TCC, e o agente local Sérgio Bacelar, no que foi decidido dar a devida visibilidade à essa parte do patrimônio desse trecho preservado de nossa Mata Atlântica.
O contexto institucional é o LaBeSeTe — Laboratório de Ecodesenvolvimento da Serra de Tiririca e entorno —, sediado na Cabana da Arara, criado como laboratório vivo para mudar a relação entre as populações urbanas e periurbanas e suas áreas de preservação. É a estrutura em que a atividade se apoia, e não a tecnologia em si.
A escolha da borboleta como foco não foi acidental. Lepidoptera é abundante na Serra da Tiririca, visível a olho nu, ativa em horários compatíveis com uma caminhada matinal e observável sem captura — o que permite uma atividade turística que não deixa rastro no ecossistema. E é um grupo cuja identificação exige conhecimento de quem passa tempo no lugar, o que coloca guarda-parques, biólogos e observadores locais no centro da atividade, e não à margem dela.
A montagem seguiu por edições sucessivas. O primeiro safári ocorreu em novembro de 2024; ao longo de 2025, cada nova edição ajustou o percurso, os pontos de observação e o tempo de cada parada, e ampliou as parcerias — INEA/PESET e CIETH —, até que a experiência entrasse no calendário oficial do próprio INEA, com o Vem Borboletar.
Participação e apropriação
A demanda não veio da universidade: veio da comunidade do entorno do PESET, que pediu uma forma de dar visibilidade à importância ambiental do parque e, ao mesmo tempo, de gerar trabalho e renda. O Safari nasceu como resposta a esse pedido. Foi com o constante diálogo com a comunidade, interlocução com os profissionais de gestão do parque que atuam localmente (e assim entendem as características locais peculiares), que essa ação foi dimensionada.
As atividades do projeto - em especial a escolha dos dias de realização dos Safáris de Borboletas - é feita consultando a equipe no local, de forma a não sobrepor outros eventos e atividades da comunidade.
Em especial na fase de definição dos formato, em que a comunidade local esteve presente colocando seus anseios, preocupações e restrições para o desenho original do Safari. Nesse caso, refere-se á reunião de planejamento realizada dentro do PESET na Núcleo Drawin para delimitar como deveriam ser feita a observação das borboletas, buscando manter um equilíbrio entre impacto e facilidade de acesso ao patrimônio natural do PESET, ou seja: entre poder observar o máximo de animais, com o mínimo de perturbação no habitat.
Adiciona-se que os eventos iniciam e terminam tomando como referência instrumentos já presentes na comunidade, tais como o Núcleo Darwin e o Parque Rural de Niterói, para dar ainda mais visibilidade aos atrativos locais da comunidade, não só dando a devida importância à estes, mas também permitindo que a população local veja e seja vista pelos participantes do safári.
A divisão de papéis é a evidência mais forte da experiência. Quem conduz é gente do lugar — a equipe de guarda-parques do PESET, o biólogo que também é guarda-parque, especialistas em lepidópteros do território. À UFF cabe organizar, divulgar e registrar, o que é função de apoio, não de operação. Sim, uma vez que faz-se uso da própria trilha do PESET, sem demarcação de novas trilhas.
A diferença está no nível de experiência que os guias já familiarizados na identificação das borboletas teem no sentido de poder avistar e indicar onde estão os animais, assim com as dicas para a realização de um bom registro fotográfico: as borboletas são surdas, mas teem bons olhos, assim pode conversar, mas se movimentem com calma quando o guia indicar onde está a borboleta / mariposa.
O conhecimento que sustenta a atividade — onde a borboleta está, a que hora, em que planta — é de quem passa tempo na serra, e permanece ali quando a equipe universitária sai.
Resultados e transformações
Entre novembro de 2024 e março de 2026 foram realizados seis safáris: 02/11/2024, com 60 avistamentos; 06/02/2025, com 76 avistamentos, cerca de 30 por hora, em dia bastante favorável; 24/05/2025, com 50 avistamentos; 18/09/2025, fechando a alta temporada; a edição em parceria com o CIETH, em 18/09/2025 - https://www.instagram.com/p/DO46YxQDW_V/?utm_source=ig_web_copy_link&stkn=NTc4MTIwNjQ2YQ==; e o Vem Borboletar de 14/03/2026, com o INEA/PESET. Os avistamentos medem a atividade e a biodiversidade observada, não o efeito social. São só tivemos uma maior conscientização da presença das borboletas do PESET, em que os próprios guarda parques passaram a notar mais os animais na própria trilha (resultando inclusive no avistamento e registro de espécies menos frequentes, o que virou notícia inclusive na mídia local e nacional), assim como tem-se um novo tipo de público sendo atraído para o PESET.
Em paralelo tivemos o interesse de outros parques que querem iniciar atividades similares em suas áreas protegidas, assim como de outros borboletários.
A transformação mais consistente é institucional: o Vem Borboletar entrou no calendário do INEA, o que significa que a atividade deixou de depender de convite pontual e passou a ter data própria na programação do órgão gestor do parque. Outras APAs procuraram a equipe para conhecer a experiência e avaliar sua reaplicação.
No entorno, os safáris acontecem pela manhã e o grupo se dispersa na hora da refeição, o que leva movimento ao comércio local nesses dias. Sim, ao final dos safáris, é comum o questionamento sobre locais de alimentação, dado que fazemos a programação para terminar ao meio dia, o que favorece que os participantes já fiquem no local e busquem uma alimentação dentro da comunidade.
A sistematização está em curso em três frentes: as apresentações públicas de 16 de outubro de 2025 - 21 e 22/10, às 9h - https://www.youtube.com/watch?v=e_fdQPNplNY, na sede do INEA/PESET, transmitida pelo YouTube, e de 23 de outubro, presencial e aberta ao público geral; dois vídeos, um de apresentação da iniciativa e outro sobre o que é um safári de borboletas; e um TCC em orientação que registra histórico, metodologia e boas práticas, além do livro As Borboletas do PESET, em preparação.
Sustentabilidade e reaplicação
A sustentabilidade institucional está encaminhada — a entrada no calendário do INEA garante continuidade —, mas a econômica não. O produto existe e funciona; falta torná-lo independente do apoio da UFF. Há intercâmbio com escolas formadoras de guias de turismo e contato com agências para formatar pacotes vendáveis no mercado de Niterói e do Rio de Janeiro. Mantemos contato com agências de turismo no Rio de Janeiro e em Niterói.
Estamos formando um guia de turismo que pode assumir - profissionalmente - a condução dos grupos.
Mantemos a parceria CIETh que entendemos seja uma porta de entrada no mercado de turismo, investindo na formação de novos guias.
A reaplicação depende de duas condições. A primeira é ambiental: biodiversidade de Lepidoptera compatível com a observação e condições que permitam a atividade sem pressão sobre o ecossistema. A segunda é o gargalo real: um guia capaz de encontrar e identificar as borboletas in loco. Essa capacidade vem do tempo passado observando os animais, e explica a diferença de avistamentos entre equipes.
Superar esse gargalo exige transformar conhecimento tácito em protocolo — guia de identificação, mapa de hotspots, calendário sazonal, fichas de registro e roteiro de capacitação. É a peça que falta para que um safári funcione fora da Serra da Tiririca.
Depoimentos
Foi muito legal participar da trilha com uma pessoa especialista em borboletas que, além de saber identificar os animais de forma rápida, consegue compartilhar conhecimento sobre os animais.
Bárbara Barroso Issa Cardozo, Niterói, 27 anos (barbaracardoso@gmail.com)
A atividade de observação de borboletas mostrou-se muito propícia no que diz respeito a conscientização ambiental e a biodiversidade. A Cabana da Arara apoia e promove essa nova modalidade de turismo a ser desenvolvida e consolidada na serra da Tiririca.
Sérgio Bacellar, Niterói, (bacellarsergio@gmail.com)
Meu nome é Christiane dos Santos Rio Branco (chrismelriobranco@gmail.com), portadora do CPF; 09066068701, Técnica Adjunto II na Área de Proteção Ambiental Estadual do Rio Guandu (APAGDU) e participar do Safari de Borboletas no dia 20 de junho do ano corrente foi uma experiência extremamente enriquecedora. A imersão no Parque Estadual da Serra da Tiririca proporcionou muito mais do que a observação de borboletas em seu ambiente natural; foi uma oportunidade de compreender, na prática, os fatores que influenciam sua ocorrência e comportamento.
Durante a atividade, recebemos orientações valiosasChristiane dos Santos Rio Branco, gestora APA Guandu (chrismelriobranco@gmail.com)
Completed projects
Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Em andamento. Período no catálogo: 2026. Local: campus Niterói, RJ. Edital de origem: Edital de Chamamento 2026. ODS: 4 – Educação de qualidade; 8 – Trabalho decente e crescimento econômico; 12 – Consumo e produção responsáveis; 15 – Vida terrestre. Outros links: - Safári dia 24/05/2025 – 50 avistamentos: https://www.instagram.com/p/DKHnbwotXqH/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA== - Safari dia 18/09/2025 – Parceria CIETH: https://www.instagram.com/p/DO46YxQDW_V/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA== - Safari dia 14/03/2026 – Vem Borboletar, parceria INEA PESET: https://www.instagram.com/p/DV6TlHtlZfq/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA== - Safária do dia 18/09/2025 – Fechando a alta temporada: https://www.instagram.com/p/DZ4_rIYFceZ/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA== - Borboleta rara de asas transparentes aparece em parque de Niterói: https://agendadopoder.com.br/borboleta-rara-de-asas-transparentes-aparece-em-parque-de-niteroi/ - Borboleta rara de asas transparentes aparece em parque de Niterói: https://diariodorio.com/especie-rara-de-borboleta-invisivel-aparece-em-parque-do-rj/index.html - Borboleta rara de asas transparentes é registrada em parque estadual de Niterói: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/06/10/borboleta-rara-de-asas-transparentes-e-registrada-em-parque-estadual-de-niteroi.ghtml - Borboleta-asa-de-vidro é vista em parque estadual de Niterói (RJ): https://f5.folha.uol.com.br/bichos/2026/06/borboleta-asa-de-vidro-e-vista-em-parque-estadual-em-niteroi-rj.shtml - Borboleta rara aparece em Parque Estadual em Niterói Leia mais em: https://vejario.abril.com.br/cidade/borboleta-rara-parque-niteroi/: https://vejario.abril.com.br/cidade/borboleta-rara-parque-niteroi/ - Site: https://www.professores.uff.br/marcosateixeira/labesete/ - Instagram: https://www.instagram.com/marcosteixeira581/
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Página do projeto
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Apresentaçao feita na sede do PESET
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Apresentação do projeto
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Como é uma Safári de Borboletas - Metodologia
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Video de divulgação do Safári de Broboletas
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Safari do dia 02/11/2024 – 60 avistamentos
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Safári do 06/02/2025 - 76 avistamentos (30 por hora, dia bastante favorável)