Cuidando da exposição à violência sexual: empoderando mulheres e tecendo redes
O projeto começou em 2015, com o título “Delineamento e Sistematização da Rede de Atenção às Mulheres Vítimas de Violência Sexual no Município de Niterói”. De lá para cá, o projeto foi se transformando não só nos títulos, mas colocando as mulheres como protagonistas das propostas. Ao mesmo tempo, foram costurando junto à gestão pública vários caminhos possíveis de enfrentamento às problemáticas concernentes à violência de gênero contra as mulheres, até que após 2017/2018 são estabelecidas parceria tanto com a Secretaria de Saúde, quanto com a Coordenadoria de Políticas e Direitos da Mulher (CODIM). Com isso, favorecendo a participação nas Reuniões de Vigilância às Violências e encontros com a rede de atendimento às mulheres, objetivando discussão de casos, criação de estratégias conjuntas para o enfrentamento da violência, assim como articulação entre os três níveis de atenção à saúde. Através do encontro com as falas das mulheres niteroienses e da legitimação de suas vivências, deparam-se com a situação de mulheres reais atravessadas pela esfera pública, e em 2019 o foco se volta para a articulação das redes, com o intuito de diminuir o número de mulheres que se perdem ingressando nas chamadas “Rotas Críticas” e buscar estratégias para intervir nessa problemática que, além de revitimizar as mulheres, as torna ainda mais vulneráveis. Dado o alarmante número de mulheres expostas à violência de gênero, não mais apenas expostas à violência sexual, notou-se a necessidade da criação de uma rede intersetorial de resistência e cuidados para o enfrentamento às violências de gênero, tendo não só as mulheres como protagonistas, mas convocando os dispositivos que elas acessam ao acolhimento livre de discriminações. Buscando estratégias de baixo custo e de fácil replicação, é realizado um mapeamento e construção de uma cartilha interativa, com questões sobre patriarcado, violências de gênero, de forma a apresentar às cidadãs os recursos para lidarem com o agravo vivido. Em 2020, a partir de parceria com o “Programa Extensionista Mulherio: tecendo redes de resistência e cuidados” (PROEX/ UFF), foi ampliado o escopo da pesquisa, visando a implementação das políticas de forma efetiva, eficiente e qualificada. Porém, a pandemia surgiu criando ainda mais desafios, e a cartilha, recém-construída, voltada para os profissionais das redes, acabou invisibilizada pela pandemia de COVID-19. Os serviços de atendimento às mulheres, por muitos meses, não foram compreendidos como serviços essenciais, deixando-as à mercê da própria sorte, por vezes, isoladas com seus agressores. As ferramentas tecnológicas foram utilizadas para auxiliar, mas como são per si excludentes, agravaram ainda mais as desigualdades entre as próprias mulheres. Traçando novas formas de intervir, ainda em termos pandêmicos, foi proposto o projeto “Rotas (ainda mais) Críticas”. Desse modo, em 2021, em parceria com o “Programa Extensionista Mulherio: tecendo redes de resistência e cuidados”, a CODIM e os serviços da rede intersetorial da Rede de Enfrentamento às Violências de Gênero contra as mulheres, foi realizado o Seminário de Políticas Públicas, com a presença de feministas que, historicamente, lutam pelos direitos das mulheres. Os trabalhos apresentados foram transformados em e-books, encaminhados ao poder público, visando dirimir as rotas críticas e as violências de gênero e de direitos. A partir de 2022, compreendemos a necessidade de nos deslocarmos em direção às adolescentes-meninas. O caminho escolhido foi o de dialogar sobre direitos e saúde sexual e reprodutiva. Mas, por que meninas? Porque as estatísticas municipais, extraídas da Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) demonstram que elas, entre seus 10 e 19 anos, são as maiores vítimas de um dos tipos de violências de gênero: a violência sexual. A construção coletiva da cartilha intitulada A de adolescentes, M de mulheres, é o produto desta experiência que, em parceria com o Programa Extensionista Mulherio: tecendo redes de resistência e cuidados, advém de encontros sistemáticos com as meninas, propiciados através da parceria interinstitucional entre o Mulherio e o Espaço Nova Geração, ENG – Fonseca.
Projetos executados
Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Encerrada. Período no catálogo: 2017–2023.