Skip to content

Paula Land Curi

Departamento de Psicologia · UFF

Unavailable for new demands

Request collaboration

Sign in to start a demand. Log in.

Skills

Cuidando da exposição à violência sexual: empoderando mulheres e tecendo redes

Primary field: Ciências Sociais Aplicadas #Redes e políticas públicas #Tecnologia Social

O projeto começou em 2015, com o título “Delineamento e Sistematização da Rede de Atenção às Mulheres Vítimas de Violência Sexual no Município de Niterói”. De lá para cá, o projeto foi se transformando não só nos títulos, mas colocando as mulheres como protagonistas das propostas. Ao mesmo tempo, foram costurando junto à gestão pública vários caminhos possíveis de enfrentamento às problemáticas concernentes à violência de gênero contra as mulheres, até que após 2017/2018 são estabelecidas parceria tanto com a Secretaria de Saúde, quanto com a Coordenadoria de Políticas e Direitos da Mulher (CODIM). Com isso, favorecendo a participação nas Reuniões de Vigilância às Violências e encontros com a rede de atendimento às mulheres, objetivando discussão de casos, criação de estratégias conjuntas para o enfrentamento da violência, assim como articulação entre os três níveis de atenção à saúde. Através do encontro com as falas das mulheres niteroienses e da legitimação de suas vivências, deparam-se com a situação de mulheres reais atravessadas pela esfera pública, e em 2019 o foco se volta para a articulação das redes, com o intuito de diminuir o número de mulheres que se perdem ingressando nas chamadas “Rotas Críticas” e buscar estratégias para intervir nessa problemática que, além de revitimizar as mulheres, as torna ainda mais vulneráveis. Dado o alarmante número de mulheres expostas à violência de gênero, não mais apenas expostas à violência sexual, notou-se a necessidade da criação de uma rede intersetorial de resistência e cuidados para o enfrentamento às violências de gênero, tendo não só as mulheres como protagonistas, mas convocando os dispositivos que elas acessam ao acolhimento livre de discriminações. Buscando estratégias de baixo custo e de fácil replicação, é realizado um mapeamento e construção de uma cartilha interativa, com questões sobre patriarcado, violências de gênero, de forma a apresentar às cidadãs os recursos para lidarem com o agravo vivido. Em 2020, a partir de parceria com o “Programa Extensionista Mulherio: tecendo redes de resistência e cuidados” (PROEX/ UFF), foi ampliado o escopo da pesquisa, visando a implementação das políticas de forma efetiva, eficiente e qualificada. Porém, a pandemia surgiu criando ainda mais desafios, e a cartilha, recém-construída, voltada para os profissionais das redes, acabou invisibilizada pela pandemia de COVID-19. Os serviços de atendimento às mulheres, por muitos meses, não foram compreendidos como serviços essenciais, deixando-as à mercê da própria sorte, por vezes, isoladas com seus agressores. As ferramentas tecnológicas foram utilizadas para auxiliar, mas como são per si excludentes, agravaram ainda mais as desigualdades entre as próprias mulheres. Traçando novas formas de intervir, ainda em termos pandêmicos, foi proposto o projeto “Rotas (ainda mais) Críticas”. Desse modo, em 2021, em parceria com o “Programa Extensionista Mulherio: tecendo redes de resistência e cuidados”, a CODIM e os serviços da rede intersetorial da Rede de Enfrentamento às Violências de Gênero contra as mulheres, foi realizado o Seminário de Políticas Públicas, com a presença de feministas que, historicamente, lutam pelos direitos das mulheres. Os trabalhos apresentados foram transformados em e-books, encaminhados ao poder público, visando dirimir as rotas críticas e as violências de gênero e de direitos. A partir de 2022, compreendemos a necessidade de nos deslocarmos em direção às adolescentes-meninas. O caminho escolhido foi o de dialogar sobre direitos e saúde sexual e reprodutiva. Mas, por que meninas? Porque as estatísticas municipais, extraídas da Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) demonstram que elas, entre seus 10 e 19 anos, são as maiores vítimas de um dos tipos de violências de gênero: a violência sexual. A construção coletiva da cartilha intitulada A de adolescentes, M de mulheres, é o produto desta experiência que, em parceria com o Programa Extensionista Mulherio: tecendo redes de resistência e cuidados, advém de encontros sistemáticos com as meninas, propiciados através da parceria interinstitucional entre o Mulherio e o Espaço Nova Geração, ENG – Fonseca.

Completed projects

Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Encerrada. Período no catálogo: 2017–2023.

Vidas adolescentes em jogo(s)

Primary field: Ciências Sociais Aplicadas Secondary field: Ciências Humanas Tecnologias de Processo #Acesso a direitos e cidadania #Comunidades urbanas periféricas #Direitos Humanos e Cidadania #Educação e Formação #Juventude #Mulheres #ODS 10 #ODS 16 #ODS 18 #ODS 3 #ODS 5 #Saúde e Bem-estar #Tecnologia Social

Tecnologia Social: Metodologia participativa de educação em direitos humanos, sexuais e reprodutivos com adolescentes por meio de jogos

Descrição

A Tecnologia Social desenvolvida consiste em uma metodologia participativa de educação em direitos humanos, sexuais e reprodutivos associada aos dispositivos lúdicos construídos coletivamente com os adolescentes: o jogo da memória organiza e guarda as temáticas a percorrer, e o passatempo é o produto de disseminação e reaplicação. Nenhum dos dois jogos é a tecnologia isoladamente — a tecnologia é o ciclo que os produz.

O ciclo tem nove etapas:

1. Vinculação e acolhimento — construção de vínculo e confiança entre equipe e participantes, antes de qualquer conteúdo.
2. Diagnóstico participativo — levantamento, com os adolescentes, dos temas de direitos humanos, sexuais e reprodutivos que querem discutir.
3. Organização dos temas — construção do jogo da memória, que guarda a pauta acordada.
4. Formação e diálogo — rodas de conversa e oficinas na ordem de interesse do grupo; nenhum tema se esgota em um único encontro.
5. Desenvolvimento do produto — o conteúdo construído coletivamente vira um novo jogo, no modelo passatempo.
6. Testagem — os próprios adolescentes jogam e experimentam o material.
7. Avaliação e reformulação — o jogo volta ao grupo, que identifica dificuldades e ajusta linguagem e regras.
8. Validação — testagem com outros grupos da mesma faixa etária.
9. Reaplicação — disponibilização do produto para outras instituições.

Temas sensíveis — violência, suicídio, automutilação, sexualidade — são tratados em articulação com a instituição parceira, com respeito aos protocolos de proteção de crianças e adolescentes, à confidencialidade dos relatos e aos fluxos de encaminhamento quando surge situação que demande atenção especializada.

O problema

Adolescentes que vivem nas comunidades da Grota, da Igrejinha e do Castelo, entre os bairros de São Francisco e Largo da Batalha, em Niterói (RJ), atravessam a puberdade e a adolescência com muitas dúvidas acerca de suas vivências e seus direitos (humanos, sexuais e reprodutivos), por vezes, sem ter alguém a quem possam recorrer. Perguntas sobre corpo, sexualidade, gravidez, gênero, racismo, violência, bullying, sofrimento psíquico e automutilação raramente encontram espaço na escola, nem sempre cabem na conversa em casa e acabam respondidas por fontes de qualidade incerta.

O problema é de desigualdade de acesso: não à informação em geral, que circula em abundância, mas a informação qualificada sobre direitos e a espaços seguros de diálogo, em que perguntar não custe exposição nem julgamento. Sem esses espaços, o adolescente aprende sobre os próprios direitos tarde, de forma fragmentada, ou não aprende.

Foi essa lacuna que o Projeto AVANTE, instituição de contraturno escolar que atende cerca de 40 crianças e adolescentes de 11 a 17 anos dessas comunidades, identificou em suas atividades e levou à universidade.

Construção da solução

A demanda chegou em 2023. Depois de publicizar uma cartilha construída com adolescentes mulheres, o Programa Extensionista Mulherio: tecendo redes de resistência e cuidados foi procurado pelo Projeto AVANTE para desenvolver atividades com as meninas e os meninos atendidos pela instituição.

O primeiro tempo não foi de conteúdo, e sim de vínculo. Só depois de estabelecida a confiança entre equipe e participantes foi possível perguntar o que interessava discutir — e a lista veio deles: puberdade, mudanças sociais, desigualdades e papéis de gênero, racismo, violências, bullying, saúde, gravidez e suicídio na adolescência, automutilação.

Para não perder essa lista nem convertê-la em programa fechado, o grupo construiu um jogo da memória com os temas. O jogo virou o guardião da pauta: era ele que lembrava o que faltava discutir e definia por onde as rodas de conversa iriam, na ordem de interesse do grupo.

Da soma do que se discutiu nasceu o segundo jogo, no formato passatempo — agora não como registro interno, mas como produto endereçado a outros adolescentes da mesma faixa etária. É esse deslocamento que caracteriza a experiência: os participantes deixam de ser destinatários de uma ação e passam a autores de um material feito para os seus pares.

Participação e apropriação

Quem define a pauta são os adolescentes: os temas trabalhados foram propostos por eles, e todas as atividades são pactuadas no grupo, em espaços coletivos de deliberação. Por se tratar de crianças e adolescentes, parte das decisões é tomada em conjunto com a instituição parceira, que responde por eles.

A apropriação vai além do uso. Os participantes são os primeiros a jogar, identificam o que não funciona na linguagem e nas regras, sugerem alterações e avaliam se o material serve a outros adolescentes — e essas avaliações mudam o produto. Modificar o jogo, e não apenas operá-lo, é o que caracteriza a apropriação aqui.

Duas limitações são reconhecidas. A condução metodológica ainda depende da equipe universitária: o grupo não percorreria o ciclo sozinho. E familiares e responsáveis ainda não foram incorporados à proposta — sua participação nas etapas de validação e disseminação é uma frente de ampliação, não uma etapa cumprida.

Resultados e transformações

Em números, cerca de 50 adolescentes de ambos os sexos passaram pelo projeto. Foram cerca de 20 encontros /ano, 16 temas trabalhados coletivamente, 3 jogos produzidos, e 10 passatempos. Esses têm sido testados e, quando necessário, reformulados a luz das considerações dos próprios adolescentes.

O produto está em fase final: o esboço do passatempo foi construído a partir de tudo que as rodas de conversa produziram e entrou na etapa de validação com outros grupos da mesma faixa etária.

A transformação mais visível está nos próprios participantes. Os registros dos diários de campo indicam que eles mobilizam os conteúdos discutidos no projeto para pensar situações vividas em casa, na escola e na comunidade — o conhecimento não fica no encontro, volta ao território pela via mais direta, a conversa entre eles.

Houve também uma mudança de posição: a procura pelo projeto aumentou e o grupo passou a tratá-lo como referência de espaço seguro para compartilhar dúvidas e histórias de vida. Em seus projetos de vida, adolescentes passaram a assinalar a possibilidade de ocupar um lugar na universidade, inclusive na UFF.

A experiência contribui para o enfrentamento das desigualdades locais e para a ampliação do acesso de adolescentes em situação de vulnerabilidade social a informação qualificada e a espaços seguros de diálogo sobre direitos.

A sistematização está nos diários de campo e no registro fotográfico dos encontros, que documentam o percurso do grupo e os ajustes feitos em cada versão do jogo.

Sustentabilidade e reaplicação

A experiência foi incorporada às atividades sistemáticas do Projeto AVANTE. A sustentação é institucional, metodológica e relacional, apoiada no vínculo com a instituição e com o grupo. A fragilidade é financeira — não há financiamento próprio além da bolsa anual do Edital de Tecnologia Social da UFF, e as atividades de campo se sustentam sem recursos específicos, enfrentando diversas mudanças em seus grupos.

A reaplicação é o ponto mais forte. A proposta é uma tecnologia leve, adaptável a diferentes idades e realidades, e pode ser reaplicada de dois modos: pela construção coletiva de novos jogos com outro grupo ou pelo uso do passatempo já produzido no cotidiano de instituições que atendem adolescentes. A validação em curso é o teste dessa transferência. Participam da validação os/as adolescentes, assim como outros adolescentes da mesma faixa etária, estudantes de escolas públicas. Foram também apresentadas ao público adulto em eventos sobre as temáticas trabalhadas.

Falta transformar o material existente em um manual de reaplicação, com público recomendado, princípios metodológicos, preparo da equipe, materiais, tempo estimado e cuidados éticos.

Completed projects

Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Em andamento. Período no catálogo: 2026. Local: campus Niterói, RJ. Edital de origem: Edital de Chamamento 2026. ODS: 10 – Redução das desigualdades; 3 – Saúde e bem-estar; 5 – Igualdade de gênero; 16 – Paz, justiça e instituições eficazes; 18 – Igualdade Étnico-Racial.

Portfolio (4 item(s))

Reviews

No reviews yet.

All set!