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Priscila da Silva Miranda da Gama

Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa/ Coluni · UFF

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Vídeos educativos sobre primeiros socorros: tecnologia social construída a partir das necessidades de aprendizagem da comunidade escolar

Área principal: Ciências da Saúde Área secundária: Ciências Humanas Área secundária: Ciências Sociais Aplicadas Área secundária: Linguística, Letras e Artes Tecnologias de Processo #Comunidades urbanas periféricas #Direitos Humanos e Cidadania #Educação e Formação #Inovação e saúde #ODS 10 #ODS 17 #ODS 3 #ODS 4 #Saúde e Bem-estar #Tecnologia Social

Tecnologia Social: Metodologia participativa de educação em primeiros socorros na Educação Infantil

Descrição

A Tecnologia Social desenvolvida consiste em uma metodologia participativa de educação em primeiros socorros para a Educação Infantil, que articula escuta da comunidade escolar, identificação das necessidades de aprendizagem, produção de conteúdos audiovisuais fundamentados em evidências, validação por especialistas e usuários e atualização periódica dos materiais.

Os vídeos educativos são os principais produtos dessa metodologia, e não a tecnologia isoladamente. Um vídeo, sozinho, é um produto educacional, o que se replica é o percurso que o produz e o mantém atualizado.

O ciclo é contínuo e se organiza em sete etapas:

1. Identificação das necessidades de aprendizagem, por escuta direta da comunidade escolar.
2. Priorização coletiva dos temas, por frequência nas falas e relevância atribuída.
3. Elaboração dos conteúdos a partir de evidências científicas.
4. Produção dos materiais audiovisuais, com linguagem acessível e situações do cotidiano escolar.
5. Validação por especialistas quanto a conteúdo científico, clareza, linguagem, relevância e aplicabilidade.
6. Validação e utilização pelo público-alvo, que confirma compreensão e pertinência.
7. Atualização dos conteúdos diante de novas evidências e diretrizes.

A sétima etapa não é acessória: em primeiros socorros, uma recomendação superada pode orientar condutas inadequadas, por isso, a atualização é imprescindível. Concluído o ciclo, ele recomeça, e as necessidades que ficaram fora da primeira priorização voltam à pauta.

Os materiais servem à formação inicial, à formação continuada e à educação permanente das equipes escolares, são educativos e não substituem a capacitação prática quando for necessário o treinamento presencial.

O problema

A Educação Infantil, destinada a crianças de 0 a 5 anos incompletos, tem seu cotidiano organizado em torno de interações e brincadeiras, que favorecem o desenvolvimento infantil. Nessa faixa etária, a percepção e a capacidade de avaliação dos riscos ainda estão em desenvolvimento, o que pode favorecer a exposição a acidentes, como quedas, engasgos e convulsões. Quando esses eventos ocorrem, a equipe escolar, geralmente é a primeira a prestar assistência à criança até a atuação do serviço de emergência.

Em geral a equipe escolar não possui preparo para realizar esses cuidados: a formação inicial da maioria das licenciaturas não contempla conteúdos de primeiros socorros, e a insegurança diante de uma emergência com criança pequena é relatada pela equipe.

A Lei nº 13.722/2018, conhecida como Lei Lucas, tornou obrigatória a capacitação em noções básicas de primeiros socorros nas instituições escolares públicas e privadas. A obrigação existe, porém é necessário estratégias educativas acessíveis, contextualizada e de uso contínuo que permita cumpri-la no cotidiano de cada escola. É nessa distância entre a norma e a prática que a tecnologia se situa.

Construção da solução

A tecnologia não partiu de um material pronto a ser levado à escola: partiu da escuta de quem trabalha nela. O ponto de início foi a própria lógica pedagógica da instituição, onde os projetos com as crianças são construídos coletivamente, com escuta e protagonismo dos envolvidos, o mesmo princípio foi adotado para o desenvolvimento dos materiais educativos.

O primeiro movimento foi diagnóstico, sendo realizadas entrevistas semiestruturadas com professores e funcionários da Educação Infantil. Durante as entrevistas, foi possível compreender experiências, necessidades, dificuldades e demandas relacionadas ao atendimento de crianças em situações de urgência e emergência. Delas emergiram tanto as situações percebidas como mais desafiadoras quanto aspectos que a comunidade considerou indispensáveis e que não estavam contemplados no roteiro inicial: o acolhimento da criança, a biossegurança, o uso de recursos mínimos e a autoconfiança.

O número de necessidades apontadas era maior do que a capacidade de produção, o que exigiu a necessidade de priorizar. Por isso os temas foram ordenados por frequência nas falas e por relevância, e a produção começou por engasgo, queda e convulsão.

Só então entrou o conhecimento técnico: um estudo baseado em evidências científicas fundamentou o conteúdo, convertido em roteiros de linguagem acessível, com situações reconhecíveis no cotidiano da Educação Infantil. Os vídeos passaram por avaliação de especialistas quanto a conteúdo científico, clareza, linguagem, relevância e após os ajustes, voltaram à comunidade escolar, que avaliou a compreensão, pertinência e utilidade. Portanto a comunidade participou do processo inicial e seu fechamento.

Participação e apropriação

A comunidade escolar não foi consultada no início e dispensada posteriormente: professores e funcionários definiram o que os vídeos precisariam ensinar. Desse modo, as temáticas emergiram das entrevistas, e a ordem de produção foi determinada pela frequência com que cada situação era identificada nas falas. A partir das necessidades de aprendizagem identificadas nas entrevistas, foram priorizados os temas mais mencionados: engasgo, queda e convulsão.

A participação impactou diretamente as decisões sobre conteúdo, linguagem, situações apresentadas e formato: os profissionais deixaram de ocupar a posição de destinatários e passaram a atuar como coautores. As contribuições orientaram a construção dos vídeos nos aspectos relacionados aos cuidados essenciais, às condutas inadequadas, ao uso de recursos mínimos, à autoconfiança dos profissionais e ao acolhimento da criança.

A apropriação ocorre quando as equipes escolares incorporam os vídeos aos seus próprios processos de formação e atualização, sem necessitar da mediação da equipe que os desenvolveu. Os vídeos estão disponíveis no YouTube, possibilitando o acesso as instituições de ensino.

Resultados e transformações

A metodologia produziu três vídeos educativos sobre engasgo, queda e convulsão, os três temas que a própria comunidade escolar apontou como mais críticos.

A validação é o resultado mais consistente da experiência. Entre os especialistas, os índices de concordância foram de 98% para engasgo, 99% para queda e 98% para convulsão, entre os profissionais da Educação Infantil, de 96% para engasgo e 100% para queda e convulsão. Os números atestam clareza, relevância, aplicabilidade e adequação ao contexto escolar, comprovam a validade e a aceitação dos materiais e pode colocaborar para mudança de comportamento de quem os assiste.

O impacto imediato verificado é esse: os profissionais compreenderam os conteúdos e os reconheceram como aplicáveis ao seu cotidiano. A tecnologia amplia o acesso a informação confiável e oferece apoio à preparação das equipes para a atuação inicial até a atuação do serviço de saúde. O aumento de conhecimento, de segurança percebida e de capacidade de resposta permanece como impacto esperado, a ser demonstrado em avaliação pré e pós-utilização ainda não realizada.

Houve também transformação na relação entre a universidade e a escola: o conhecimento científico não chegou pronto, dialogou com a experiência de quem vive o cotidiano escolar, e professores e funcionários foram reconhecidos como protagonistas na definição do que precisava ser ensinado. A experiência está sistematizada em dissertação de mestrado, o que permite que o percurso seja examinado e reproduzido por outras instituições.

Sustentabilidade e reaplicação

Em primeiros socorros, a atualização não é apenas manutenção: é condição de segurança. Por isso, sempre que novas evidências científicas e diretrizes são publicadas, ocorre a atualização do material. Por exemplo, o vídeo sobre engasgo precisou ser revisado para atender a novas orientações científicas. A manutenção e a atualização dos vídeos são realizadas pela equipe do projeto.

O desafio permanente é de dosagem: traduzir evidências científicas em linguagem simples, sem perder o rigor técnico, e priorizar temas sem descartar as demais necessidades apontadas, que permanecem na perspectiva de terem seus vídeos educativos produzidos, a saber: parada cardiorrespiratória, trauma dental, queimaduras, trauma na cabeça, ferimentos e cortes.

A reaplicação é modular e não exige estrutura sofisticada. A instituição necessita de equipe responsável, roteiro metodológico, instrumentos de diagnóstico, especialistas para validação e um canal de distribuição, e percorrer as mesmas etapas: ouvir, priorizar, elaborar, produzir, validar, disponibilizar e atualizar. Como os temas nasceram da escuta local, os produtos podem mudar a depender da escola, o percurso, não.

Projetos executados

Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Em andamento. Período no catálogo: 2026. Local: campus Niterói, RJ. Edital de origem: Edital de Chamamento 2026. ODS: 3 – Saúde e bem-estar; 4 – Educação de qualidade; 10 – Redução das desigualdades; 17 – Parcerias e meios de implementação.

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