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Renata Faisca

UFF

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Trilhos da Memória, Caminhos do Amanhã: Requalificação urbana participativa da Praça Leoni Ramos (Cantareira) — Niterói/RJ

Primary field: Engenharias Secondary field: Ciências Humanas Secondary field: Ciências Sociais Aplicadas Secondary field: Linguística, Letras e Artes Tecnologias Sociais Híbridas #Comunidades urbanas periféricas #Cultura e Identidade #Habitação e Infraestrutura #Idosos #Juventude #ODS 10 #ODS 11 #ODS 13 #ODS 8 #ODS 9 #Pessoas com deficiência #Redes e políticas públicas #Tecnologia Social

Tecnologia Social: Diagnóstico participativo com simulação digital para requalificação de praças fragmentadas

Descrição

A Tecnologia Social desenvolvida consiste em um método de diagnóstico participativo e simulação digital para a requalificação de espaços públicos urbanos fragmentados, que combina levantamento histórico-documental, escuta estruturada da comunidade que usa o espaço, produção de indicadores quantificados de percepção sobre o espaço e visualização das propostas por inteligência artificial, tornando um projeto urbanístico complexo compreensível e debatível por moradores, comerciantes e gestores públicos antes de qualquer intervenção física.

A tecnologia não é a praça requalificada, que ainda não foi construída. É o método que produz a proposta e a torna discutível: o que se reaplica é o percurso do levantamento à simulação, não o desenho da Cantareira.

O método opera em seis etapas:

1. Levantamento histórico-documental — origem e transformações do espaço, patrimônio material presente e proteções legais incidentes.
2. Diagnóstico participativo — observação direta em campo e formulários aplicados a moradores, comerciantes, estudantes e usuários sobre iluminação, acessibilidade, limpeza, mobiliário e alagamentos.
3. Produção de indicadores — tratamento estatístico das respostas, que converte percepção difusa em prioridade mensurada.
4. Estudo de fluxos — análise da circulação de veículos e de pedestres e proposição do reordenamento que prioriza quem caminha.
5. Simulação digital — geração por inteligência artificial das imagens das intervenções ainda conceituais.
6. Debate público — apresentação da proposta simulada à comunidade e ao poder público antes da execução.

O custo do método é baixo e independe do custo da obra: as seis etapas podem ser cumpridas antes de existir financiamento para a intervenção física.

O problema

A Praça Leoni Ramos, conhecida como Praça da Cantareira, fica nas imediações do campus Gragoatá da UFF, em Niterói (RJ). O nome popular remete à antiga Companhia Cantareira e Viação Fluminense, que operou linhas de bonde no local até 1950 — memória ainda presente nos trilhos tombados que resistem no asfalto.

O que restou dessa praça é uma rotatória. Cercada por tráfego intenso, ela está isolada do pedestre que deveria usá-la: quem sai do campus, do Ingá ou do comércio do entorno contorna o espaço em vez de atravessá-lo. Iluminação, acessibilidade, limpeza, mobiliário urbano e arborização são apontados como precários pela própria comunidade, e a área tem histórico de alagamentos. Há concentração de pessoas em situação de rua sem equipamento de apoio, e o patrimônio edificado do entorno corre risco — o desabamento de um sobrado histórico na região, em 2024, tornou esse risco concreto.

A chegada do Hub de Inovação de Niterói ao entorno imediato acrescenta pressão: um novo fluxo de usuários chegará a um espaço público que, no estado atual, não tem condições de absorvê-lo.

Construção da solução

Trilhos da Memória, Caminhos do Amanhã é uma ação extensionista de docentes e discentes da Universidade Federal Fluminense (UFF). A escolha inicial da equipe foi não começar pelo desenho: antes de propor qualquer intervenção, era preciso saber o que a praça foi, o que ela é hoje para quem a usa e como um projeto urbanístico poderia ser discutido por moradores e comerciantes sem exigir que lessem uma planta.

O trabalho começou pelo levantamento histórico-documental, que reconstituiu a origem da praça, sua relação com o antigo sistema de bondes e a situação das edificações protegidas pela Área de Proteção do Ambiente Urbano (APAU) no entorno. Foi esse levantamento que converteu os trilhos no asfalto de resto de pavimentação em patrimônio a conservar.

Veio então o diagnóstico em campo, por observação direta e por formulários aplicados a moradores, comerciantes, estudantes e demais usuários da praça. As respostas foram tratadas estatisticamente, o que deu base numérica às prioridades do projeto em vez de deixá-las à leitura técnica da equipe.

Com o diagnóstico consolidado, a equipe desenvolveu o estudo de fluxos viários e de pedestres que sustenta a proposta: fechamento de um trecho da Rua José Bonifácio ao tráfego de veículos e inversão de sentido da via lindeira à praça, para transformá-la em um boulevard de uso compartilhado que elimina a barreira entre a Cantareira, o fluxo de pedestres do Ingá e o futuro Hub de Inovação.

O passo que fechou o método foi a simulação: as intervenções ainda conceituais foram visualizadas por inteligência artificial, o que permitiu debater a proposta com a comunidade e com a Prefeitura antes de qualquer obra.

Participação e apropriação

A comunidade que usa a praça é a fonte do diagnóstico: são as respostas de moradores, comerciantes, estudantes e usuários que definem quais problemas entram na proposta e em que ordem de prioridade. O tratamento estatístico existe para que essa hierarquia venha dos respondentes, e não da leitura técnica da equipe. As alternativas foram discutidas de forma aberta durante o diagnóstico inicial, antes de qualquer desenho técnico. A proposta consolidada só foi formulada após a escuta da comunidade, sendo posteriormente debatida com o uso de modelos digitais.

Sobre a apropriação, a equipe é explícita quanto ao limite desta primeira etapa: o diagnóstico, a análise de fluxos e a simulação por inteligência artificial foram conduzidos pela equipe da UFF, com a comunidade na posição de informante e interlocutora, e não de operadora da metodologia. Nenhum morador aplica hoje o método por conta própria.

A escolha da simulação por inteligência artificial é, ainda assim, uma decisão a favor da apropriação: substitui a planta e o memorial descritivo por imagens que qualquer pessoa lê, e é isso que permite a um comerciante ou a uma moradora discordar do que está proposto.

Resultados e transformações

O diagnóstico participativo foi consolidado a partir de Foram aplicados cerca de 120 formulários de diagnóstico aos moradores, comerciantes e estudantes. e produziu um retrato sistematizado da praça que até então não existia: Aproximadamente 80% dos respondentes avaliaram a iluminação como ruim ou muito ruim, e parcelas expressivas relataram ausência de acessibilidade, histórico de alagamentos e insatisfação com o mobiliário urbano e a arborização. O que era queixa dispersa passou a ser dado.

Desse diagnóstico saiu uma proposta urbana completa — reordenamento viário, paisagismo, mobiliário, ordenamento do comércio local, jardim de chuva, pergolado e anfiteatro —, acompanhada de um material de comunicação visual gerado por inteligência artificial. É esse material que produziu a transformação já verificável: a proposta tornou-se legível para quem não lê projeto de arquitetura, e o debate sobre o futuro da praça deixou de ser restrito a técnicos.

Os efeitos sobre o espaço físico ainda não ocorreram, e a equipe é explícita a respeito: a intervenção não foi executada, e iluminação, mobiliário, acessibilidade e limpeza permanecem no estado registrado na pesquisa. Redução da fragmentação urbana, prioridade ao pedestre, ordenamento do comércio local, conservação dos trilhos tombados e mitigação de alagamentos pelo jardim de chuva são resultados esperados da implementação, não transformações percebidas hoje pela comunidade.

A experiência foi sistematizada e apresentada no Seminário de Extensão da UFF (SEMENDE/UFF) em 2025, e constituiu espaço de formação extensionista para a equipe discente envolvida.

Sustentabilidade e reaplicação

O maior desafio é a ausência de um arranjo formalizado de gestão, manutenção e financiamento do espaço requalificado, envolvendo a UFF, a Prefeitura de Niterói e a comunidade local. O próprio diagnóstico mostrou que limpeza, iluminação e conservação do mobiliário já são percebidas como deficientes; sem governança definida antes da obra, a praça requalificada tende a voltar às condições atuais. Defini-la é pré-requisito da implementação, e não etapa posterior a ela. A proposta simulada foi apresentada preliminarmente à Prefeitura de Niterói durante a etapa de debate público, mas ainda sem formalidades.

O método, esse sim, se sustenta sozinho: as seis etapas custam pouco, dispensam obra e pedem apenas equipe com formação em arquitetura, urbanismo ou design, formulário de campo e ferramentas de simulação de uso corrente.

A reaplicação já está mapeada pela própria equipe: o entorno dos campi Valonguinho e Praia Vermelha, simbolicamente conectados à Cantareira; bairros históricos de Niterói sob pressão de especulação imobiliária, como o entorno de São Domingos; e, de forma geral, qualquer praça configurada como rotatória que fragmente o espaço público e isole o pedestre.

Completed projects

Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Em andamento. Período no catálogo: 2026. Local: campus Niterói, RJ. Edital de origem: Edital de Chamamento 2026. ODS: 11 – Cidades e comunidades sustentáveis; 8 – Trabalho decente e crescimento econômico; 9 – Indústria, inovação e infraestrutura; 10 – Redução das desigualdades; 13 – Ação contra a mudança global do clima.

Portfolio (3 item(s))

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