FemmeInovation: videoteca para o ensino em saúde da mulher e formação em enfermagem
Tecnologia Social: Método de produção e validação de videoteca para o ensino em saúde da mulher
Descrição
A Tecnologia Social desenvolvida consiste em uma videoteca de formação em saúde da mulher construída com a participação de docentes e estudantes de enfermagem, validada cientificamente por especialistas e por seu público-alvo, que qualifica a prática de futuros enfermeiros e, por meio dela, amplia o acesso das mulheres atendidas a um cuidado mais seguro, humanizado e fundamentado em evidências.
O que se reaplica não é o conjunto de doze vídeos, e sim o método que os produz e os torna confiáveis. Ele se organiza em oito etapas:
1. Seleção dos procedimentos e conteúdos a abordar, a partir das lacunas identificadas na formação.
2. Elaboração dos roteiros com base em referenciais científicos e nos Procedimentos Operacionais Padrão do Consultório de Enfermagem.
3. Levantamento dos materiais e equipamentos necessários à demonstração.
4. Gravação nos laboratórios da própria universidade.
5. Edição com ferramentas digitais acessíveis.
6. Validação de conteúdo por juízes especialistas, com instrumento padronizado.
7. Adequação do material conforme os apontamentos recebidos.
8. Divulgação gratuita em ambiente virtual aberto, sem cadastro nem custo para o estudante.
A validação por instrumento padronizado é o que separa esta videoteca de uma coleção de vídeos didáticos: cada peça só é publicada depois de aferida quanto a objetivos, estrutura, clareza, sequência lógica e relevância.
O problema
O treinamento prático em saúde da mulher acontece em uma janela estreita. O estudante de enfermagem vê o exame citopatológico, a palpação uterina ou a ausculta dos batimentos cardíacos fetais em um número limitado de encontros de laboratório e, depois deles, não tem como rever o gesto: o procedimento existe descrito em texto, mas não demonstrado.
O resultado é a dificuldade de consolidar habilidades práticas, agravada pela limitação do tempo presencial e pela necessidade de revisitar o conteúdo fora da aula (CAMACHO; SOUZA, 2021). Materiais audiovisuais voltados especificamente às necessidades dos graduandos de enfermagem em saúde da mulher são escassos (ALVES et al. 2020), embora o vídeo se mostre eficaz como recurso de aprendizagem nessa formação (MUNIZ et al. 2022).
A lacuna não se encerra na sala de aula. Quem chega ao serviço sem ter consolidado a técnica de um exame de rastreamento atende mulheres com menos segurança, e é essa cadeia — formação insuficiente, cuidado menos preciso — que a tecnologia procura interromper na primeira ponta.
Construção da solução
A videoteca FemmeInovation nasceu dentro do projeto de monitoria Consultório de Enfermagem: inovação pedagógica para o ensino da saúde da mulher, e foi construída e validada como parte de um Trabalho de Conclusão de Curso.
A construção ocorreu de maneira participativa entre docentes e discentes da UFF: quem ensina o procedimento e quem precisa aprendê-lo trabalharam juntos na definição do que gravar e de como gravar.
Duas decisões deram forma à solução. A primeira foi ancorar cada roteiro em referenciais científicos e nos Procedimentos Operacionais Padrão do próprio Consultório de Enfermagem — o vídeo não registra o jeito de fazer de um profissional, registra o procedimento como a instituição o padroniza. A segunda foi produzir tudo com recursos já disponíveis na universidade, gravando nos laboratórios de ensino e editando com ferramentas digitais acessíveis, o que manteve o custo baixo e tornou o método reprodutível por outra equipe sem investimento adicional.
Antes de chegar ao estudante, o material passou por avaliação de especialistas, e as observações recebidas sobre qualidade audiovisual, biossegurança e legendas foram incorporadas ao conteúdo. Só então os vídeos foram disponibilizados gratuitamente em ambiente virtual, no perfil @consultoriodenfermagemuff e no site institucional do Consultório de Enfermagem Érick Igor dos Santos.
Participação e apropriação
A construção foi participativa dentro da comunidade acadêmica: docentes e discentes da UFF definiram juntos o conteúdo. os estudantes monitores participaram da elaboração da videoteca
A decisão sobre o que entra no material não é apenas da equipe que o produz. O conteúdo foi submetido a onze enfermeiros especialistas, que apontaram ajustes de qualidade audiovisual, biossegurança e legendas — e esses apontamentos alteraram o material antes da publicação. A validação seguinte é com o público-alvo, os próprios estudantes de graduação: a parte de validação está sendo concluida através de trabalhos de conclusão de curso
Essa segunda etapa é a que fecha o ciclo de participação, porque desloca a palavra final de quem já domina o procedimento para quem está aprendendo — e é a partir dela que as sugestões de quem usa passam a orientar o desenho da ferramenta.
A apropriação, do lado de quem estuda, já não depende da equipe: os vídeos estão abertos em ambiente virtual, sem cadastro nem custo, e podem ser consultados no ritmo de cada um, antes ou depois do laboratório, quantas vezes precisar.
Resultados e transformações
Foram produzidos doze vídeos educativos sobre saúde da mulher: exame citopatológico, exame clínico das mamas, cálculo da idade gestacional, data provável do parto, teste imunológico de gravidez, tipos de leucorreias, manobra de palpação uterina, ausculta dos batimentos cardíacos fetais, parto humanizado, teste do cotonete, mensuração da altura uterina e coleta de exame citopatológico de descarga papilar.
A validação envolveu 11 enfermeiros especialistas em enfermagem obstétrica, saúde da mulher e tecnologia educacional — 90,9% do sexo feminino, todos com mais de cinco anos de formação e média de 22 anos de experiência —, por meio do Instrumento de Validação de Conteúdo Educacional em Saúde (IVCES). O Índice de Concordância Global foi de 0,98, bem acima do mínimo recomendado de 0,70. A maioria dos itens obteve concordância máxima; os menores índices, ainda satisfatórios, ficaram em encoraja a mudar comportamento e temas atuais, ambos com 0,90.
Os resultados evidenciam que a FemmeInovation constitui uma tecnologia educacional válida, relevante e adequada ao ensino da saúde da mulher na graduação em enfermagem. O que ainda não foi medido é o passo seguinte da cadeia: o efeito sobre a prática dos estudantes e, por ela, sobre o cuidado prestado às mulheres atendidas. o desenvolvimento das práticas de ensino clínico tem sido bem mais eficientes após o uso dessa tecnologia
A experiência está sistematizada em Trabalho de Conclusão de Curso e em apresentações em eventos científicos, o que permite a outras equipes compreender o método e reproduzi-lo.
Sustentabilidade e reaplicação
O custo de manutenção é baixo por construção: os vídeos foram gravados nos laboratórios da universidade e editados com ferramentas digitais acessíveis, e a distribuição em ambiente virtual não gera despesa recorrente. A dependência real é de continuidade da equipe. a reaplicação da videoteca tem sido pelos novos monitores
O desafio à frente é concluir a validação com o público-alvo e medir o efeito da videoteca sobre a prática dos estudantes — sem isso, a cadeia entre formação qualificada e cuidado mais seguro permanece plausível, mas não evidenciada.
A reaplicação depende de três condições, não do acesso aos doze vídeos: um procedimento operacional padrão que sirva de referência ao roteiro, um laboratório de ensino onde gravar e um instrumento validado para submeter o material a especialistas antes de publicá-lo. Com elas, o método pode ser adaptado a outras disciplinas, áreas da enfermagem e cursos da saúde, em instituições de ensino e programas de educação permanente. Não há, até aqui, registro de adoção do método por outra instituição.
Projetos executados
Experiência de Tecnologia Social da UFF, importada do Portal TS. Situação: Em andamento. Período no catálogo: 2026. Local: campus Rio das Ostras, RJ. Edital de origem: Edital de Chamamento 2026. ODS: 3 – Saúde e bem-estar; 4 – Educação de qualidade; 5 – Igualdade de gênero; 10 – Redução das desigualdades; 18 – Igualdade Étnico-Racial.